francesa Dassault Aviation, um dos principais grupos aeroespaciais da Europa, está liderando uma rodada de investimento de US$ 200 milhões na startup de tecnologia defensiva Harmattan AI, com objetivo de impulsionar o desenvolvimento de sistemas autônomos e inteligência artificial voltados à defesa.
O aporte financeiro, parte da Série B da empresa — avaliada em cerca de US$ 1,4 bilhão — vai acelerar a criação de capacidades críticas de IA para controle de veículos aéreos não tripulados (UAVs), como drones de vigilância e ataque, que deverão operar ao lado de aeronaves de combate tradicionais.
Fundada em 2025, a Harmattan AI se especializa em sistemas autônomos de defesa que utilizam algoritmos avançados para tomada de decisão em tempo real — uma tendência cada vez mais estratégica num cenário global de tensões e rivalidades geopolíticas ampliadas pelo conflito na Ucrânia e pela necessidade de reduzir dependência tecnológica externa.
A iniciativa também se encaixa na visão mais ampla da Dassault de integrar soluções de IA em seus futuros programas de sistemas de combate aéreo, incluindo drones de combate que deverão operar com o novo Rafale F5 e outros projetos de aeronaves de próxima geração planejados para a década de 2030.
Rafale F5
O presidente francês Emmanuel Macron saudou o investimento como um passo importante para fortalecer a autonomia estratégica e tecnológica da Europa no setor de defesa, além de reforçar a competitividade industrial do país. Ele destacou a importância de desenvolver capacidades próprias em IA para drones e sistemas de combate avançados, em vez de depender majoritariamente de tecnologia estrangeira.
Além de controlar drones autônomos, a inteligência artificial está sendo cada vez mais integrada em sistemas de suporte ao piloto, análise de dados de missão e identificação de ameaças — elementos que são considerados cruciais para manter a vantagem tecnológica no campo de batalha.
Parcerias estratégicas entre Dassault, agências governamentais francesas de IA para defesa e grandes empresas de tecnologia continuam a se intensificar, reforçando esforços por soberania tecnológica europeia em IA aplicada à defesa avançada.
OPINIÃO: O investimento liderado pela Dassault Aviation ocorre em um momento crítico para a indústria de defesa europeia. De acordo com análises recentes do setor, cadeias globais de suprimentos estão cada vez mais “armadas” geopoliticamente, com restrições comerciais, sanções e disputas tecnológicas afetando o acesso a semicondutores, sensores avançados, sistemas de navegação e componentes de IA.
Esse cenário levou empresas aeroespaciais europeias a reavaliar a dependência de fornecedores externos, especialmente dos Estados Unidos e da Ásia, acelerando investimentos em tecnologia soberana.
O avanço de conflitos regionais, a guerra na Ucrânia e o aumento das tensões no Indo-Pacífico reforçaram a percepção de que dependência tecnológica é um risco estratégico.
A União Europeia tem adotado uma postura mais assertiva para garantir:
- Independência em IA militar
- Produção local de sistemas críticos
- Proteção contra sanções externas
- Capacidade de resposta rápida a crises
Especialistas do setor indicam que essas tecnologias serão fundamentais para o Future Combat Air System (FCAS) — programa europeu que visa substituir caças atuais a partir da década de 2030.
Nesse contexto, investimentos como o da Dassault não são apenas industriais, mas decisões de segurança continental.
