Saúde
Retatrutida, remédio “triplo” da Eli Lilly, faz pacientes perderem até 22,5 kg em estudo de fase 3; farmacêutica pretende pedir aprovação ao FDA no início de 2027
No estudo TRIUMPH-2, com 1.152 pessoas com obesidade e diabetes tipo 2, a maior dose reduziu mais de 20% do peso em 80 semanas. Efeitos colaterais digestivos foram comuns, e especialistas alertam para risco de cálculos biliares e falta de nutrientes.
Um novo medicamento experimental para obesidade e diabetes mostrou, em um grande estudo de fase 3, a maior perda de peso já vista em um tratamento do tipo. A retatrutida, da farmacêutica Eli Lilly, é o primeiro remédio “agonista triplo”: age em três receptores hormonais (GLP-1, GIP e glucagon), enquanto drogas já no mercado, como a semaglutida e a tirzepatida, agem em um ou dois, segundo a Scientific American. Ainda não é aprovada em nenhum país, e portanto não está disponível para uso.
O estudo TRIUMPH-2
O ensaio envolveu 1.152 pessoas com obesidade e diabetes tipo 2, acompanhadas por 80 semanas. Os participantes receberam retatrutida em três doses (4 mg, 9 mg ou 12 mg) ou placebo. A perda média de peso foi:
- 4 mg: 13,5 kg;
- 9 mg: 20,6 kg;
- 12 mg: 22,5 kg — acima de 20% do peso corporal;
- Placebo: 4,2 kg.
Segundo a revista, a maior dose levou a uma redução que o texto descreve como inédita no campo. Importante: os participantes tinham diabetes tipo 2, e em geral a perda de peso é menor nesse grupo do que em pessoas só com obesidade, o que torna o resultado ainda mais relevante para os pesquisadores — mas não permite estender os números a todo mundo.

Outros resultados
- Entre 28,4% e 40% dos participantes (conforme a dose) tiveram glicemia normalizada;
- Cerca de 60% do grupo de 12 mg deixou de se enquadrar nos critérios de obesidade ao final do estudo;
- Houve melhora em colesterol e pressão arterial.
Segurança: o que preocupa
Os efeitos colaterais mais comuns foram diarreia, constipação, náusea e vômito, típicos dessa classe de remédios. Ocorreram sete mortes durante o estudo, que foram consideradas não relacionadas ao tratamento, segundo o relato. Especialistas ouvidos pela revista alertam que a perda de peso muito rápida aumenta o risco de cálculos biliares e de deficiência de micronutrientes, o que exige acompanhamento médico e nutricional.
Próximos passos
A Eli Lilly pretende enviar os dados ao FDA, agência reguladora dos EUA, “no começo do próximo ano” — ou seja, em 2027 — para pedir aprovação. A revista informa que os resultados foram publicados nas revistas científicas The Lancet e New England Journal of Medicine. Não há, nas fontes consultadas, informação sobre pedido de registro na Anvisa nem sobre preço.
E no Brasil?
No fim de setembro, o Ministério da Saúde disse que as chamadas “canetas emagrecedoras” podem chegar ao SUS com descontos de 80% a 90%, mas o comunicado não cita quais medicamentos seriam avaliados pela Conitec. Qualquer medicamento novo, como a retatrutida, ainda teria de ser aprovado pela Anvisa e depois passar pela avaliação de custo-efetividade para entrar no SUS — um processo que costuma levar anos. Quem usa ou pensa em usar esse tipo de tratamento deve procurar um médico e desconfiar de ofertas de “retatrutida” à venda hoje, já que o produto não tem aprovação.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir da reportagem da Scientific American (29/09/2026). Os números do estudo são os divulgados pela revista; o NTB não leu os artigos científicos originais. Informações de saúde não substituem avaliação profissional.
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