Segunda-feira, 5 de outubro de 2026Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Saúde

Governo, Hemobrás e chinesa Tiantan Bio firmam acordo para ampliar a produção de imunoglobulina e anunciam R$ 116 milhões em equipamentos para hemocentros

Medicamento do plasma, usado contra imunodeficiências e outras doenças do sangue, entra em pacote de investimentos que inclui 132 ultracongeladores, 472 freezers a −80 °C e repasse mensal inédito de R$ 38 milhões à rede de hemocentros.

Complexo industrial da Hemobrás, em Goiana, Pernambuco
Complexo industrial da Hemobrás, em Goiana (PE) (foto de Roberto Stuckert Filho, CC BY 3.0, de arquivo). Foto/Imagem: Foto: Roberto Stuckert Filho / Wikimedia Commons, CC BY 3.0

O governo federal anunciou, em 2 de outubro de 2026, em São Paulo, um acordo entre o Ministério da Saúde, a Hemobrás — empresa pública de hemoderivados — e a empresa chinesa Tiantan Bio para ampliar a produção de imunoglobulina, medicamento obtido a partir do plasma sanguíneo. Junto ao acordo, a pasta divulgou um pacote de investimentos na rede de sangue do país, com equipamentos para hemocentros em todos os estados e repasses mensais de recursos federais.

Para que serve a imunoglobulina

A imunoglobulina é uma solução de anticorpos extraídos do plasma de doadores. De acordo com o ministério, ela é usada no tratamento de imunodeficiências, de infecções bacterianas e de alguns tipos de câncer do sangue. Como depende de plasma humano, sua produção só cresce se a rede de coleta, congelamento e armazenamento também crescer — daí a combinação, no anúncio, entre um acordo industrial e investimentos em hemocentros.

Os números do pacote

  • R$ 116 milhões em equipamentos distribuídos a 125 serviços de sangue, em 27 estados;
  • 132 ultracongeladores (para o congelamento rápido do plasma) e 472 freezers para armazenamento a temperaturas de até −80 °C, além de sistemas de monitoramento da cadeia de frio em oito estados;
  • R$ 38 milhões por mês em repasses aos hemocentros de todos os estados, algo que o ministério apresenta como a primeira vez em que esse tipo de incentivo é oferecido;
  • R$ 50 milhões, do Novo PAC, para um laboratório de pesquisa e desenvolvimento;
  • R$ 5 milhões em pesquisa de terapia gênica: R$ 2,6 milhões da Hemobrás, R$ 1,6 milhão da Embrapii e R$ 694 mil da UFMG/FarmaVax.

O ministério projeta aumento de cerca de 30% na capacidade de armazenamento de plasma para uso industrial. A rede brasileira de sangue reúne 2.097 serviços de hemoterapia, dos quais 1.722 do setor público.

Campanha de doação de sangue na Fundação Pró-Sangue, em São Paulo
Campanha de doação de sangue na Fundação Pró-Sangue/Hemocentro de São Paulo (foto do Governo do Estado de São Paulo, CC BY 2.0, de arquivo). Crédito: Governo do Estado de São Paulo / Wikimedia Commons, CC BY 2.0.

O que o acordo com a Tiantan Bio prevê

A notícia oficial resume o acordo como um passo para ampliar a produção nacional de imunoglobulina, mas, nas informações divulgadas até aqui, não detalha o escopo — como o volume de plasma a ser processado, a transferência de tecnologia, prazos ou valores do contrato com a empresa chinesa. Esses detalhes são o que permitirá avaliar quanto o Brasil reduzirá a dependência de importações desse medicamento e em quanto tempo.

Bolsa de plasma sanguíneo
Bolsa de plasma sanguíneo (foto de Steven Cateris, CC BY-SA 2.0). Imagem ilustrativa: o plasma é a matéria-prima da imunoglobulina. Crédito: Steven Cateris / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0.

Por que o plasma é o gargalo

Medicamentos derivados do plasma — como a imunoglobulina — dependem de doações e de uma logística rigorosa: o plasma precisa ser congelado rapidamente depois da coleta e mantido em temperaturas muito baixas até chegar à indústria. Por isso, o anúncio dá peso aos equipamentos: ultracongeladores e freezers a −80 °C, e monitoramento contínuo da temperatura, ajudam a evitar perdas e a garantir que o plasma coletado nos hemocentros possa de fato virar medicamento. Este raciocínio é uma explicação do NTB, baseada no tipo de equipamento listado.

A fala do ministro

O ministro Alexandre Padilha disse que o SUS fica mais forte quando tem uma rede mais consolidada e com mais capacidade de incorporar tecnologia. O anúncio se soma a outras ações do ministério para a produção pública de medicamentos e para o fortalecimento do complexo industrial da saúde, que o governo trata como estratégico.

O que acompanhar

Os próximos passos a observar são a divulgação dos termos do acordo com a Tiantan Bio, o cronograma de entrega dos equipamentos aos serviços de sangue e a evolução da coleta de plasma pelos hemocentros. Para o paciente, o que importa é a disponibilidade do medicamento no SUS — e isso dependerá tanto da produção quanto da distribuição.

Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir de comunicados do Ministério da Saúde e da Agência Gov. Os valores e quantidades são os divulgados pelo governo. A explicação sobre a importância do plasma e do congelamento é contexto do NTB.

Fontes

Redação NTB · Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Conteúdo elaborado pela equipe do News Tech Brazil a partir de fontes públicas, com apoio de ferramentas de inteligência artificial e revisão editorial. Todas as matérias listam suas fontes.

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