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Meio Ambiente

Setembro de 2026 foi o mais quente já registrado nos EUA continentais, com média de 20,8 °C, diz agência climática americana

A média ficou 2,6 °C acima da do século 20 e superou o recorde de 1998. Oito estados bateram marcas, e 59% do território estava em seca. Enquanto isso, o Sudoeste teve um dos setembros mais chuvosos em décadas.

Mapa de satélite colorido da temperatura da superfície no sudoeste dos EUA, com cidades identificadas
Temperatura da superfície terrestre no sudoeste dos EUA em 13 de junho de 2021, mapa do programa europeu Copernicus (Sentinel-3). Imagem de arquivo de outro evento (onda de calor de junho de 2021), usada só como ilustração; não mostra setembro de 2026. Foto/Imagem: European Union, Copernicus Sentinel-3 imagery / Wikimedia Commons, Attribution

Os Estados Unidos continentais (os 48 estados contíguos, sem Alasca e Havaí) tiveram em setembro de 2026 o setembro mais quente de toda a série histórica, segundo o NCEI, o Centro Nacional de Informações Ambientais da NOAA, a agência oceânica e atmosférica americana. A média de temperatura foi de 69,4 °F, ou cerca de 20,8 °C, 4,6 °F (2,6 °C) acima da média do século 20. O recorde anterior era de 68,95 °F (20,5 °C), de 1998. O relatório foi publicado em 8 de outubro de 2026.

Há uma pequena inconsistência na própria página, que o NTB registra para transparência: em um trecho, a série é descrita como começando em 1895; em outro, como tendo 132 anos. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: o mais quente já medido naquele banco de dados.

Calor também de madrugada

Um dado relevante é o das mínimas, as temperaturas mais baixas do dia, que costumam ocorrer à noite. A média das mínimas nos EUA continentais superou o recorde de setembro de 2019 por mais de 1,2 °F (cerca de 0,7 °C). Noites mais quentes importam para a saúde, porque o corpo tem menos tempo de se recuperar do calor, e para a agricultura e o consumo de energia. Essa explicação é contexto do NTB.

Oito estados com recorde

Oito estados tiveram o setembro mais quente de sua história. Cinco deles, Arkansas, Illinois, Kansas, Missouri e Oklahoma, superaram marcas que datavam das décadas de 1920 ou 1930. Isso é significativo porque aquelas décadas incluíram anos de seca extrema e calor, como os da época do Dust Bowl, e eram por isso referências altas.

Chuva e seca ao mesmo tempo

O quadro da chuva é mais misto. Para o território continental, a precipitação foi de 2,69 polegadas (cerca de 68 mm), 0,20 polegada (uns 5 mm) acima da média do século 20, no terço mais chuvoso da série de 132 anos. Mesmo assim, cerca de 59% do território estava em seca em 29 de setembro, praticamente sem mudança desde o início do mês. A região Sul chegou a 89% de cobertura de seca, a maior extensão desde outubro de 2000.

A convivência de um mês relativamente chuvoso com seca ampla se explica porque a chuva se distribuiu de forma muito desigual. O relatório destaca extremos regionais:

  • Arizona teve seu setembro mais úmido desde 1983, com 2,97 polegadas (cerca de 75 mm), ou 251,7% da média;
  • Novo México teve o mais úmido desde 1941, com mais de 5 polegadas (acima de 127 mm), ou 303,6% da média;
  • Fairbanks, no Alasca, teve o setembro mais chuvoso desde 1925.

Havaí e Alasca

O Havaí teve o segundo setembro mais quente da série de 36 anos, com 71,1 °F (21,7 °C) e temperaturas mínimas recordes. Também teve o segundo setembro mais chuvoso, com 10,83 polegadas (cerca de 275 mm), e o período de janeiro a setembro foi o mais chuvoso já registrado para o arquipélago. O Alasca teve média de 42,5 °F (5,8 °C), 1,9 °F (1,1 °C) acima da média de 1925-2000, no terço mais quente de sua série de 102 anos.

Como ler “recorde” com cuidado

Um recorde mensal em um país não é o mesmo que a temperatura do planeta. Os EUA continentais ocupam uma fração pequena da superfície do globo, e o clima de um mês em uma região é influenciado por padrões de circulação do ar que variam de ano para ano. Por isso os cientistas olham para a sequência de recordes e para as médias globais antes de falar de tendência. O que se pode dizer com segurança é que setembro de 2026 foi o mais quente na série do NCEI para essa região, e que isso combina com um ano de temperaturas muito altas no planeta.

Nesse contexto global, o serviço europeu Copernicus informou, em 10 de setembro, que agosto de 2026 foi o agosto mais quente e empatou com julho de 2023 como o mês mais quente já registrado, com média global de 16,96 °C, 1,65 °C acima da média pré-industrial (1850-1900), o primeiro mês acima de 1,5 °C desde novembro de 2025. As temperaturas da superfície do mar fora das regiões polares chegaram a 21,07 °C, empatando com o valor mais alto de qualquer mês. O Copernicus associa isso, em parte, às condições de El Niño forte já presentes no Pacífico. Samantha Burgess, diretora estratégica de clima do ECMWF, disse que a mudança climática impulsiona extremos tanto na atmosfera quanto nos oceanos. O NTB não encontrou, até o fechamento, o boletim do Copernicus para setembro de 2026; os números globais citados são de agosto.

Por que interessa ao leitor brasileiro

O Brasil não é afetado diretamente por um recorde de setembro nos EUA, mas o contexto é o mesmo: um planeta em aquecimento e um El Niño forte, que, segundo o Copernicus e a previsão citada em outra matéria do NTB hoje, pode ficar entre os mais fortes já registrados. O fenômeno costuma alterar chuvas e temperaturas na América do Sul. O recado prático é acompanhar os boletins do INMET e do CPTEC/INPE nas próximas semanas. Essa orientação é do NTB.

O que o relatório não diz

A página consultada não traz o número de desastres bilionários do mês, nem estimativas de impacto econômico ou de saúde. Também não atribui o recorde a uma causa específica; descreve o resultado medido. Atribuição, quando feita por estudos dedicados, costuma aparecer semanas ou meses depois.

Nota da redação: texto elaborado pelo NTB, a partir do relatório climático nacional de setembro de 2026 do NOAA/NCEI (08/10/2026) e do boletim de agosto de 2026 do Copernicus (10/09/2026). Conversões: graus Fahrenheit para Celsius pela fórmula (°F − 32) × 5/9; diferenças de temperatura (4,6 °F, 1,9 °F, 1,2 °F) multiplicadas por 5/9; polegadas em milímetros (1 polegada = 25,4 mm); valores arredondados. A imagem de abertura é um mapa de junho de 2021, de outro evento, e não representa setembro de 2026. As explicações sobre noites quentes, o Dust Bowl e o significado de recordes locais são contexto do NTB. A recomendação sobre INMET e CPTEC é do NTB.

Fontes

Foto de Antonio Fernando Azevedo Souza Neto

Antonio Fernando Azevedo Souza Neto · Founder News Tech Brazil

Engenheiro Mecânico, Cientista da Computação e Matemático | Criador e redator do News Tech Brazil | Ciência • Tecnologia • Inovação • Engenharia Antonio Fernando Azevedo Souza Neto é um profissional com interesses multidisciplinares nas áreas de Engenharia, Computação, Matemática...

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