Meio Ambiente
Setembro de 2026 foi o mais quente já registrado nos EUA continentais, com média de 20,8 °C, diz agência climática americana
A média ficou 2,6 °C acima da do século 20 e superou o recorde de 1998. Oito estados bateram marcas, e 59% do território estava em seca. Enquanto isso, o Sudoeste teve um dos setembros mais chuvosos em décadas.
Os Estados Unidos continentais (os 48 estados contíguos, sem Alasca e Havaí) tiveram em setembro de 2026 o setembro mais quente de toda a série histórica, segundo o NCEI, o Centro Nacional de Informações Ambientais da NOAA, a agência oceânica e atmosférica americana. A média de temperatura foi de 69,4 °F, ou cerca de 20,8 °C, 4,6 °F (2,6 °C) acima da média do século 20. O recorde anterior era de 68,95 °F (20,5 °C), de 1998. O relatório foi publicado em 8 de outubro de 2026.
Há uma pequena inconsistência na própria página, que o NTB registra para transparência: em um trecho, a série é descrita como começando em 1895; em outro, como tendo 132 anos. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: o mais quente já medido naquele banco de dados.
Calor também de madrugada
Um dado relevante é o das mínimas, as temperaturas mais baixas do dia, que costumam ocorrer à noite. A média das mínimas nos EUA continentais superou o recorde de setembro de 2019 por mais de 1,2 °F (cerca de 0,7 °C). Noites mais quentes importam para a saúde, porque o corpo tem menos tempo de se recuperar do calor, e para a agricultura e o consumo de energia. Essa explicação é contexto do NTB.
Oito estados com recorde
Oito estados tiveram o setembro mais quente de sua história. Cinco deles, Arkansas, Illinois, Kansas, Missouri e Oklahoma, superaram marcas que datavam das décadas de 1920 ou 1930. Isso é significativo porque aquelas décadas incluíram anos de seca extrema e calor, como os da época do Dust Bowl, e eram por isso referências altas.
Chuva e seca ao mesmo tempo
O quadro da chuva é mais misto. Para o território continental, a precipitação foi de 2,69 polegadas (cerca de 68 mm), 0,20 polegada (uns 5 mm) acima da média do século 20, no terço mais chuvoso da série de 132 anos. Mesmo assim, cerca de 59% do território estava em seca em 29 de setembro, praticamente sem mudança desde o início do mês. A região Sul chegou a 89% de cobertura de seca, a maior extensão desde outubro de 2000.
A convivência de um mês relativamente chuvoso com seca ampla se explica porque a chuva se distribuiu de forma muito desigual. O relatório destaca extremos regionais:
- Arizona teve seu setembro mais úmido desde 1983, com 2,97 polegadas (cerca de 75 mm), ou 251,7% da média;
- Novo México teve o mais úmido desde 1941, com mais de 5 polegadas (acima de 127 mm), ou 303,6% da média;
- Fairbanks, no Alasca, teve o setembro mais chuvoso desde 1925.
Havaí e Alasca
O Havaí teve o segundo setembro mais quente da série de 36 anos, com 71,1 °F (21,7 °C) e temperaturas mínimas recordes. Também teve o segundo setembro mais chuvoso, com 10,83 polegadas (cerca de 275 mm), e o período de janeiro a setembro foi o mais chuvoso já registrado para o arquipélago. O Alasca teve média de 42,5 °F (5,8 °C), 1,9 °F (1,1 °C) acima da média de 1925-2000, no terço mais quente de sua série de 102 anos.
Como ler “recorde” com cuidado
Um recorde mensal em um país não é o mesmo que a temperatura do planeta. Os EUA continentais ocupam uma fração pequena da superfície do globo, e o clima de um mês em uma região é influenciado por padrões de circulação do ar que variam de ano para ano. Por isso os cientistas olham para a sequência de recordes e para as médias globais antes de falar de tendência. O que se pode dizer com segurança é que setembro de 2026 foi o mais quente na série do NCEI para essa região, e que isso combina com um ano de temperaturas muito altas no planeta.
Nesse contexto global, o serviço europeu Copernicus informou, em 10 de setembro, que agosto de 2026 foi o agosto mais quente e empatou com julho de 2023 como o mês mais quente já registrado, com média global de 16,96 °C, 1,65 °C acima da média pré-industrial (1850-1900), o primeiro mês acima de 1,5 °C desde novembro de 2025. As temperaturas da superfície do mar fora das regiões polares chegaram a 21,07 °C, empatando com o valor mais alto de qualquer mês. O Copernicus associa isso, em parte, às condições de El Niño forte já presentes no Pacífico. Samantha Burgess, diretora estratégica de clima do ECMWF, disse que a mudança climática impulsiona extremos tanto na atmosfera quanto nos oceanos. O NTB não encontrou, até o fechamento, o boletim do Copernicus para setembro de 2026; os números globais citados são de agosto.
Por que interessa ao leitor brasileiro
O Brasil não é afetado diretamente por um recorde de setembro nos EUA, mas o contexto é o mesmo: um planeta em aquecimento e um El Niño forte, que, segundo o Copernicus e a previsão citada em outra matéria do NTB hoje, pode ficar entre os mais fortes já registrados. O fenômeno costuma alterar chuvas e temperaturas na América do Sul. O recado prático é acompanhar os boletins do INMET e do CPTEC/INPE nas próximas semanas. Essa orientação é do NTB.
O que o relatório não diz
A página consultada não traz o número de desastres bilionários do mês, nem estimativas de impacto econômico ou de saúde. Também não atribui o recorde a uma causa específica; descreve o resultado medido. Atribuição, quando feita por estudos dedicados, costuma aparecer semanas ou meses depois.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB, a partir do relatório climático nacional de setembro de 2026 do NOAA/NCEI (08/10/2026) e do boletim de agosto de 2026 do Copernicus (10/09/2026). Conversões: graus Fahrenheit para Celsius pela fórmula (°F − 32) × 5/9; diferenças de temperatura (4,6 °F, 1,9 °F, 1,2 °F) multiplicadas por 5/9; polegadas em milímetros (1 polegada = 25,4 mm); valores arredondados. A imagem de abertura é um mapa de junho de 2021, de outro evento, e não representa setembro de 2026. As explicações sobre noites quentes, o Dust Bowl e o significado de recordes locais são contexto do NTB. A recomendação sobre INMET e CPTEC é do NTB.
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