Meio Ambiente
Nova espécie de cobra-cega descoberta na Serra dos Órgãos (RJ) é batizada “Maria”, em homenagem ao nome mais popular do Brasil e a uma ex-escravizada que ajudou a reflorestar a Tijuca
A Siphonops maria, anfíbio subterrâneo de cerca de 20 cm, foi descrita por pesquisadores do Museu Goeldi e da Unicamp. O nome também lembra Maria, mulher que havia sido escravizada e que ajudou a replantar a Floresta da Tijuca no século XIX.
Ela passa quase toda a vida debaixo da terra, tem olhos reduzidos e a aparência de uma minhoca grande — mas é um anfíbio. A nova espécie Siphonops maria, uma cecília, também conhecida como cobra-cega, foi descrita a partir de exemplares coletados no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, e parece ser endêmica do estado, na Mata Atlântica. A descoberta foi divulgada pela Agência FAPESP em 6 de outubro de 2026; o artigo científico foi publicado em 2025 no Zoological Journal of the Linnean Society.
Quem são as cecílias
As cecílias (ordem Gymnophiona) são anfíbios sem patas, de corpo alongado, hábitos subterrâneos e visão limitada — o nome vem do latim caecus, “cego”. Apesar da aparência de verme, são vertebrados com esqueleto completo, e não cobras. A S. maria é da família Siphonopidae. O exemplar usado como referência (holótipo) mede cerca de 20 centímetros, menor que as espécies mais próximas.
Como foi identificada
O trabalho foi liderado por Adriano Oliveira Maciel, do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, com coautoria de Luís Felipe Toledo, do Instituto de Biologia da Unicamp, e apoio da FAPESP. A equipe combinou sequenciamento genético, análise da morfologia e tomografia computadorizada de alta resolução para estudar as relações de parentesco e as características do esqueleto.

Por que “Maria”
O nome homenageia dois sentidos: o nome feminino mais comum do Brasil e, em especial, uma mulher chamada Maria, que havia sido escravizada e que, segundo a reportagem, ajudou no reflorestamento da Floresta da Tijuca entre 1861 e 1874, quando foram plantadas mais de 100 mil árvores. A escolha chama atenção para as pessoas negras que participaram da recuperação da Mata Atlântica e que raramente aparecem na história.
E agora?
A reportagem não menciona o estado de conservação da espécie — informação que depende de levantamentos de população e de habitat. Os pesquisadores identificaram ainda duas possíveis outras espécies novas, de São Paulo e do Espírito Santo, que precisam de mais estudos.
Por que importa
Animais subterrâneos e discretos como as cecílias são difíceis de achar e muito pouco conhecidos, o que significa que muitas espécies podem desaparecer antes de serem descritas. A Mata Atlântica, onde restam fragmentos do bioma original, abriga muitas espécies endêmicas, e cada nova descrição reforça o argumento para proteger o que resta.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir da reportagem da Agência FAPESP (06/10/2026) sobre artigo de 2025. A foto de abertura é de outra espécie do mesmo gênero. O NTB não leu o artigo científico. A observação final sobre a Mata Atlântica é contexto geral do NTB.
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