Espaço
Astrônomos flagram estrela anã vermelha “petiscando” uma anã marrom a 300 anos-luz; sistema ZTF J0440+2325 pode durar até bilhões de anos
Estudo liderado pelo MIT, na Nature Astronomy, descreve um par de astros que orbita em 87 minutos, com uma “bola de fogo” na superfície da estrela. É a primeira observação confirmada desse tipo de transferência lenta de matéria.
Astrônomos do MIT e de instituições parceiras observaram uma estrela anã vermelha absorvendo, lentamente, matéria de uma anã marrom companheira. O sistema, chamado ZTF J0440+2325, fica a cerca de 300 anos-luz da Terra, na Via Láctea. O estudo, publicado na Nature Astronomy em 5 de outubro de 2026, tem autoria de Kevin Burdge, Aaron Householder, Kaitlyn Shin, Saul Rappaport, Joheen Chakraborty e Emma Chickles, com pesquisadores da Caltech, da Universidade do Havaí, do Instituto de Astrofísica de Canárias, da Universidade de La Laguna e do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian.
O sistema
- Estrela principal: uma anã vermelha com cerca de 85 massas de Júpiter;
- Companheira: uma anã marrom — um objeto intermediário entre planeta e estrela — com cerca de 25 massas de Júpiter;
- Período orbital: 87 minutos por volta;
- Separação: tão pequena que o par caberia dentro do diâmetro do Sol.
Como foi descoberto
A câmera do Zwicky Transient Facility (ZTF), no Observatório Palomar, detectou o sistema. Em seguida, a equipe apontou vários telescópios para medir outras propriedades. Simulações de computador confirmaram que o material da anã marrom flui diretamente para a superfície da estrela em alta velocidade, criando um ponto quente localizado. Conforme os astros giram, essa “bola de fogo” entra e sai do campo de visão e produz uma curva de luz de formato triangular, característica do fenômeno.

Um ritmo lento
A estrela consome cerca de 1/100.000 da massa da Terra por ano — comparação do comunicado: o equivalente a 40 milhões de caminhões basculantes de material por ano. Nesse ritmo, o processo poderia continuar por centenas de milhares ou até bilhões de anos.
Por que é inédito
Segundo o MIT, é a primeira observação confirmada de uma estrela de baixa massa acretando matéria de outro objeto de baixa massa, de forma lenta. Isso revela um mecanismo alternativo de interação entre estrelas e companheiras, além do cenário mais conhecido de engolimento rápido.
O que significa
Sistemas assim ajudam a entender a evolução de pares próximos e o destino de anãs marrons e planetas gigantes que orbitam muito perto das estrelas. Um único exemplo não permite tirar conclusões gerais, e, para generalizar as conclusões, seria preciso encontrar outros sistemas parecidos.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir da notícia do MIT News (05/10/2026) sobre artigo da Nature Astronomy. O NTB não leu o artigo original. A última seção é contexto do NTB.
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