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Ciência

Webb indica que o planeta de lava TOI-561 b reflete cerca de 75% da luz da estrela, um “protetor solar” possivelmente feito de nuvens de silicato

O mundo rochoso, a 280 anos-luz, é mais frio do que o esperado para uma rocha escura tão perto do astro. A explicação por nuvens vem de modelos de computador, e a composição da atmosfera continua desconhecida.

Ilustração de um planeta rochoso quente perto de sua estrela, com um lado claro e outro avermelhado
Ilustração artística do exoplaneta TOI-561 b perto de sua estrela, divulgada pela equipe do Telescópio Webb (CC BY 4.0). É arte conceitual, não uma fotografia do planeta. Foto/Imagem: James Webb Space Telescope / Wikimedia Commons, CC BY 4.0

Um planeta rochoso colado à estrela (as 37 horas de observação cobrem quase quatro órbitas dele, ou seja, cada volta dura cerca de 10 horas, conta do NTB), com um oceano de rocha derretida na superfície, não deveria conseguir manter uma atmosfera: o calor e a radiação a arrancariam em pouco tempo. Mesmo assim, o TOI-561 b, um “planeta de lava” a cerca de 280 anos-luz da Terra, parece ter uma. Novas observações do Telescópio Espacial James Webb, divulgadas em 27 de outubro de 2026 pela Universidade de Birmingham (Reino Unido) e relatadas em The Astronomical Journal, indicam que o planeta é surpreendentemente refletivo, o que ajuda a explicar por que é mais frio do que o previsto.

A explicação favorita da equipe, porém, é uma hipótese de modelo: nuvens de silicato formadas no lado diurno. O estudo não identificou o que compõe a atmosfera.

O que o Webb observou

A equipe usou o instrumento NIRSpec do Webb para medir uma curva de fase: o acompanhamento do brilho e do calor do planeta ao longo de sua órbita, o que permite ver tanto o lado voltado para a estrela (diurno) quanto o lado escuro (noturno). As observações cobriram cerca de 37 horas, quase quatro órbitas completas, e permitiram, pela primeira vez, observar o lado noturno do planeta. A estrela hospedeira não é descrita no texto consultado.

Três pistas que não combinam com uma rocha escura

  • Reflete muito: o planeta devolve cerca de 75% da luz estelar que recebe, comparável a Vênus, cujas nuvens densas são muito brilhantes;
  • Lado diurno mais frio: estava mais frio do que o previsto para uma rocha escura tão próxima da estrela. O texto não dá valores de temperatura;
  • Lado noturno quente demais: ele não é frio o bastante para explicar todo o calor “faltante” do lado diurno, o que indica que o calor é redistribuído do dia para a noite, algo que uma atmosfera faria.

O “protetor solar”

Modelos de computador sugerem que nuvens de silicato, feitas de dióxido de silício (SiO₂) e silicato de magnésio (MgSiO₃), podem se formar sobre o lado diurno e refletir a radiação antes que ela alcance a superfície. É como se o planeta usasse um protetor solar de rocha vaporizada. O ponto de cautela é o próprio verbo do texto: essas nuvens são descritas como possíveis, não confirmadas.

Como se mede o calor de um planeta tão distante

O Webb não “vê” o planeta como um ponto separado da estrela: ele mede a luz total do sistema e observa como ela varia enquanto o planeta gira em sua órbita. Quando o lado diurno está voltado para nós, o sistema fica um pouco mais brilhante no infravermelho; quando o planeta passa por trás da estrela, o brilho cai. A diferença entre esses momentos revela quanto calor sai de cada lado do planeta. Esse tipo de medida exige estabilidade e precisão extremas, porque a variação é uma fração minúscula do brilho da estrela. (A explicação do método é contexto do NTB, coerente com a descrição de “curva de fase” do release.) É por isso que a observação de quase quatro órbitas seguidas é um dos pontos fortes do trabalho: ela reduz o risco de que uma flutuação isolada seja confundida com um sinal do planeta.

De que é feita a atmosfera? Ainda não se sabe

A composição é desconhecida. Os candidatos citados são uma camada espessa de dióxido de carbono, semelhante à de Vênus, mas mais quente, ou uma atmosfera dominada por dióxido de enxofre, como a da lua Io, de Júpiter. Um possível mecanismo de reposição: um oceano global de rocha derretida pode liberar gases continuamente, repondo a atmosfera e explicando como ela teria sobrevivido por bilhões de anos. Também isso é hipótese. Para decidir, serão necessárias observações do Webb em comprimentos de onda mais longos, segundo a equipe. O estudo se baseia em evidências de uma atmosfera apresentadas em 2025, que o texto menciona sem detalhar.

Quem fez o estudo

A pesquisadora Anjali Piette, professora assistente de astronomia na Universidade de Birmingham, é a fonte principal do release. O projeto foi liderado pela professora Lisa Dang, da Universidade de Waterloo (Canadá). Também assinam Samuel Boucher, Alex McGinty, Johanna K. Teske, Raymond Pierrehumbert e outros colaboradores listados no artigo. O trabalho, intitulado “A Highly Reflective Atmosphere on the Lava World TOI-561b Revealed by JWST/NIRSpec Phase Curves” (Uma atmosfera altamente refletiva no mundo de lava TOI-561b revelada por curvas de fase do JWST/NIRSpec, tradução do NTB), saiu no volume 172, número 4, página 239.

Por que importa

Planetas rochosos muito quentes são laboratórios de geologia extrema, e a questão de se conseguem manter atmosfera é um teste de nossas teorias sobre evolução planetária. Se mundos assim retêm gases, é possível que planetas rochosos menos extremos também o façam em condições mais variadas do que se pensava, algo central para a busca por atmosferas em planetas potencialmente habitáveis. (Essa conexão é contexto do NTB.) O release é explícito num ponto final: as condições são hostis demais para a vida como a conhecemos. O interesse aqui é físico, não biológico.

O resultado também mostra o valor da curva de fase: sem observar o lado noturno, a conclusão de que há redistribuição de calor não seria possível. É um tipo de observação longa, de dezenas de horas contínuas, que só um telescópio espacial estável consegue fazer.

Nota da redação: texto elaborado pelo NTB, com auxílio de inteligência artificial e revisão editorial, a partir do resumo do ScienceDaily (27/10/2026) sobre release da Universidade de Birmingham. O NTB não leu o artigo da The Astronomical Journal. O título do artigo está traduzido pelo NTB. O texto não informa temperaturas nem o nome da estrela; o NTB não os completou. As frases sobre atmosferas de planetas habitáveis e sobre o valor das curvas de fase são contexto do NTB. A imagem de abertura é uma ilustração artística.

Fontes

Foto de Antonio Fernando Azevedo Souza Neto

Antonio Fernando Azevedo Souza Neto · Founder News Tech Brazil

Engenheiro Mecânico, Cientista da Computação e Matemático | Criador e redator do News Tech Brazil | Ciência • Tecnologia • Inovação • Engenharia Antonio Fernando Azevedo Souza Neto é um profissional com interesses multidisciplinares nas áreas de Engenharia, Computação, Matemática...

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