Terça-feira, 6 de outubro de 2026Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Ciência

CMS, no LHC, vê “ondas” deixadas por um quark ao atravessar o plasma de quarks e glúons: a melhor evidência de que a matéria primordial se comporta como líquido

Entre 13 bilhões de colisões de núcleos de chumbo, a colaboração isolou cerca de 2.000 eventos com um bóson Z e um quark. O bóson serviu de referência para medir o rastro do quark no plasma.

Detector CMS no Grande Colisor de Hádrons, no CERN
O detector CMS, no Grande Colisor de Hádrons, no CERN (foto de Simon Waldherr, CC BY-SA 4.0). Imagem de arquivo, ilustrativa. Foto/Imagem: SimonWaldherr / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Nos primeiros microssegundos depois do Big Bang, o universo era uma sopa quente de quarks e glúons livres, o chamado plasma de quarks e glúons. Esse estado pode ser recriado, por frações de segundo, em colisões de núcleos pesados no Grande Colisor de Hádrons (LHC), no CERN. A colaboração CMS (Compact Muon Solenoid) relatou agora o que descreve como a evidência mais clara de que esse plasma se comporta como um líquido: um quark que o atravessa deixa para trás ondulações, respingos e redemoinhos. Os resultados saíram na revista Physics Letters B, com apoio do Departamento de Energia dos EUA, e foram divulgados pelo ScienceDaily em 6 de outubro de 2026.

O truque: usar um bóson Z como referência

O desafio é separar o efeito de um único quark no plasma. Estudos anteriores usavam pares quark–antiquark, o que gerava sobreposição de sinais. Desta vez, os físicos escolheram eventos em que um bóson Z era produzido junto com um quark. O bóson Z quase não interage com o plasma, então qualquer perturbação do lado oposto à sua direção pode ser atribuída apenas à passagem do quark.

Os números

Foram analisadas colisões de núcleos de chumbo a velocidades próximas à da luz. Entre 13 bilhões de colisões examinadas, a equipe identificou cerca de 2.000 eventos com um bóson Z e um quark, adequados para a medida.

Ilustração de uma colisão de núcleos pesados e do plasma de quarks e glúons
Ilustração do plasma de quarks e glúons (imagem de S13mashina, CC BY-SA 4.0). Imagem ilustrativa. Crédito: S13mashina / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

O que se viu

Ao atravessar o plasma, o quark deixou uma esteira. Segundo os autores, o plasma é tão denso que consegue frear o quark e produzir “respingos e redemoinhos” como um líquido. Isso apoia a ideia, já presente em teorias e em experimentos anteriores, de que o plasma responde coletivamente, como um fluido, e não como um gás de partículas independentes.

Por que importa

Entender como a matéria primordial se comporta ajuda a testar a teoria das interações fortes (a cromodinâmica quântica) em condições extremas e a reconstruir os primeiros instantes do cosmos. O resultado valida previsões teóricas sobre como esse plasma reage à passagem de partículas. O resumo não aponta limitações específicas; como em toda medida estatística com cerca de 2.000 eventos, a precisão tem limites e novas amostras podem refiná-la.

Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir do resumo do ScienceDaily (06/10/2026) sobre artigo da Physics Letters B. O NTB não leu o artigo original. O contexto sobre o Big Bang e a observação final sobre estatística são do NTB.

Fontes

Redação NTB · Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Conteúdo elaborado pela equipe do News Tech Brazil a partir de fontes públicas, com apoio de ferramentas de inteligência artificial e revisão editorial. Todas as matérias listam suas fontes.

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