Ciência
CMS, no LHC, vê “ondas” deixadas por um quark ao atravessar o plasma de quarks e glúons: a melhor evidência de que a matéria primordial se comporta como líquido
Entre 13 bilhões de colisões de núcleos de chumbo, a colaboração isolou cerca de 2.000 eventos com um bóson Z e um quark. O bóson serviu de referência para medir o rastro do quark no plasma.
Nos primeiros microssegundos depois do Big Bang, o universo era uma sopa quente de quarks e glúons livres, o chamado plasma de quarks e glúons. Esse estado pode ser recriado, por frações de segundo, em colisões de núcleos pesados no Grande Colisor de Hádrons (LHC), no CERN. A colaboração CMS (Compact Muon Solenoid) relatou agora o que descreve como a evidência mais clara de que esse plasma se comporta como um líquido: um quark que o atravessa deixa para trás ondulações, respingos e redemoinhos. Os resultados saíram na revista Physics Letters B, com apoio do Departamento de Energia dos EUA, e foram divulgados pelo ScienceDaily em 6 de outubro de 2026.
O truque: usar um bóson Z como referência
O desafio é separar o efeito de um único quark no plasma. Estudos anteriores usavam pares quark–antiquark, o que gerava sobreposição de sinais. Desta vez, os físicos escolheram eventos em que um bóson Z era produzido junto com um quark. O bóson Z quase não interage com o plasma, então qualquer perturbação do lado oposto à sua direção pode ser atribuída apenas à passagem do quark.
Os números
Foram analisadas colisões de núcleos de chumbo a velocidades próximas à da luz. Entre 13 bilhões de colisões examinadas, a equipe identificou cerca de 2.000 eventos com um bóson Z e um quark, adequados para a medida.

O que se viu
Ao atravessar o plasma, o quark deixou uma esteira. Segundo os autores, o plasma é tão denso que consegue frear o quark e produzir “respingos e redemoinhos” como um líquido. Isso apoia a ideia, já presente em teorias e em experimentos anteriores, de que o plasma responde coletivamente, como um fluido, e não como um gás de partículas independentes.
Por que importa
Entender como a matéria primordial se comporta ajuda a testar a teoria das interações fortes (a cromodinâmica quântica) em condições extremas e a reconstruir os primeiros instantes do cosmos. O resultado valida previsões teóricas sobre como esse plasma reage à passagem de partículas. O resumo não aponta limitações específicas; como em toda medida estatística com cerca de 2.000 eventos, a precisão tem limites e novas amostras podem refiná-la.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir do resumo do ScienceDaily (06/10/2026) sobre artigo da Physics Letters B. O NTB não leu o artigo original. O contexto sobre o Big Bang e a observação final sobre estatística são do NTB.
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