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Ciência

Fosfito e paládio de fontes hidrotermais podem ter ajudado a energizar a vida primitiva: química simples reproduz etapa-chave da formação de ATP

Grupo da Universidade Heinrich Heine, de Düsseldorf, mostra em artigo na FEBS Journal que traços de paládio catalisam a oxidação do fosfito e fosforilam o AMP até ADP, sem enzimas. Rendimentos não foram informados.

Fumarola hidrotermal submarina conhecida como fumarola negra
Uma fumarola hidrotermal “fumarola negra” no fundo do mar (foto do MARUM, Centro de Ciências Ambientais Marinhas, CC BY 4.0). Imagem de arquivo, ilustrativa. Foto/Imagem: MARUM − Zentrum für Marine Umweltwissenschaften, Universität Bremen / Wikimedia Commons, CC BY 4.0

Todas as células vivas usam o ATP (trifosfato de adenosina) como “moeda de energia”. Mas como a vida começou a usar essa moeda antes de existirem enzimas complexas para fabricá-la? Pesquisadores do Instituto de Evolução Molecular da Universidade Heinrich Heine, de Düsseldorf, liderados pelo professor William Martin, com a autora principal Manon Schlikker e o cientista de materiais Harun Tüysüz, do Instituto Max Planck de Pesquisa do Carvão, propõem uma resposta geoquímica. O trabalho saiu na FEBS Journal em 2026, e o comunicado foi divulgado em 6 de outubro.

A química proposta

Os pesquisadores estudaram duas substâncias que ocorrem naturalmente em fontes hidrotermais que liberam hidrogênio: o fosfito e o paládio. Eles mostraram que o paládio catalisa a oxidação do fosfito a fosfato, o que permite fosforilar o AMP (monofosfato de adenosina) e transformá-lo em ADP (difosfato de adenosina) — uma etapa em direção ao ATP. Segundo Martin, fosfito mais quantidades mínimas e catalíticas de paládio representam um precursor geoquímico do ATP que se forma naturalmente.

Uma liga natural também funciona

A liga natural de paládio, ferro e níquel encontrada nessas fontes também funcionou como catalisador eficaz, o que reforça a plausibilidade geológica do processo.

Modelo tridimensional da molécula de ATP
Modelo 3D da molécula de ATP (imagem de domínio público). Imagem didática. Crédito: Autor não informado / Wikimedia Commons, Public domain.

Mais que o AMP

O sistema fosfito–paládio também fosforilou outras moléculas de interesse biológico, como ribose, glicose, glicerol e acetato. Um produto importante é o acetilfosfato, há muito considerado um candidato a “moeda de energia” primordial. A reação ocorre em ambiente aquoso, em condições de fonte hidrotermal.

Por que importa

Em vez de depender de proteínas complexas, a fosforilação poderia ter começado com minerais e metais disponíveis no fundo do mar primitivo. É uma contribuição para a hipótese de que as primeiras vias metabólicas surgiram em ambientes como as fontes hidrotermais, e para a ideia de que a bioquímica atual mantém um “fóssil” dessa química.

Limitações

O comunicado não informa rendimentos nem eficiência quantitativa. Mostrar que uma reação é possível em laboratório não prova que ela aconteceu na Terra primitiva, e o paládio é um metal raro, cuja disponibilidade em fontes reais é discutível. Trata-se de um passo em uma discussão científica aberta, e não de uma resposta definitiva sobre a origem da vida.

Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir do comunicado da Universidade Heinrich Heine (EurekAlert, 06/10/2026) sobre artigo da FEBS Journal. O NTB não leu o artigo original. A observação sobre a raridade do paládio e a discussão sobre a Terra primitiva são contexto do NTB.

Fontes

Antonio Fernando Azevedo Souza Neto · Founder News Tech Brazil

Engenheiro Mecânico, Cientista da Computação e Matemático | Criador e redator do News Tech Brazil | Ciência • Tecnologia • Inovação • Engenharia

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