Ciência
Fosfito e paládio de fontes hidrotermais podem ter ajudado a energizar a vida primitiva: química simples reproduz etapa-chave da formação de ATP
Grupo da Universidade Heinrich Heine, de Düsseldorf, mostra em artigo na FEBS Journal que traços de paládio catalisam a oxidação do fosfito e fosforilam o AMP até ADP, sem enzimas. Rendimentos não foram informados.
Todas as células vivas usam o ATP (trifosfato de adenosina) como “moeda de energia”. Mas como a vida começou a usar essa moeda antes de existirem enzimas complexas para fabricá-la? Pesquisadores do Instituto de Evolução Molecular da Universidade Heinrich Heine, de Düsseldorf, liderados pelo professor William Martin, com a autora principal Manon Schlikker e o cientista de materiais Harun Tüysüz, do Instituto Max Planck de Pesquisa do Carvão, propõem uma resposta geoquímica. O trabalho saiu na FEBS Journal em 2026, e o comunicado foi divulgado em 6 de outubro.
A química proposta
Os pesquisadores estudaram duas substâncias que ocorrem naturalmente em fontes hidrotermais que liberam hidrogênio: o fosfito e o paládio. Eles mostraram que o paládio catalisa a oxidação do fosfito a fosfato, o que permite fosforilar o AMP (monofosfato de adenosina) e transformá-lo em ADP (difosfato de adenosina) — uma etapa em direção ao ATP. Segundo Martin, fosfito mais quantidades mínimas e catalíticas de paládio representam um precursor geoquímico do ATP que se forma naturalmente.
Uma liga natural também funciona
A liga natural de paládio, ferro e níquel encontrada nessas fontes também funcionou como catalisador eficaz, o que reforça a plausibilidade geológica do processo.

Mais que o AMP
O sistema fosfito–paládio também fosforilou outras moléculas de interesse biológico, como ribose, glicose, glicerol e acetato. Um produto importante é o acetilfosfato, há muito considerado um candidato a “moeda de energia” primordial. A reação ocorre em ambiente aquoso, em condições de fonte hidrotermal.
Por que importa
Em vez de depender de proteínas complexas, a fosforilação poderia ter começado com minerais e metais disponíveis no fundo do mar primitivo. É uma contribuição para a hipótese de que as primeiras vias metabólicas surgiram em ambientes como as fontes hidrotermais, e para a ideia de que a bioquímica atual mantém um “fóssil” dessa química.
Limitações
O comunicado não informa rendimentos nem eficiência quantitativa. Mostrar que uma reação é possível em laboratório não prova que ela aconteceu na Terra primitiva, e o paládio é um metal raro, cuja disponibilidade em fontes reais é discutível. Trata-se de um passo em uma discussão científica aberta, e não de uma resposta definitiva sobre a origem da vida.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir do comunicado da Universidade Heinrich Heine (EurekAlert, 06/10/2026) sobre artigo da FEBS Journal. O NTB não leu o artigo original. A observação sobre a raridade do paládio e a discussão sobre a Terra primitiva são contexto do NTB.
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