Ciência
Crânio de Homo erectus adulto de 2 milhões de anos encontrado na África do Sul é 200 mil anos mais velho que os adultos conhecidos da espécie
O fragmento DNH 127, da caverna de Drimolen, é cerca de 200 mil anos mais antigo que os adultos de Dmanisi, na Geórgia. Os autores defendem que a espécie surgiu no sul da África, mas a datação não é detalhada no resumo e a interpretação segue em debate.
Um pedaço de crânio de adulto encontrado em uma caverna da África do Sul está sendo apresentado como o fóssil de Homo erectus mais antigo já descrito para um indivíduo adulto: cerca de 2 milhões de anos. A descoberta, em Drimolen, no Berço da Humanidade (região sul-africana com sítios fósseis de grande importância), foi descrita em estudo publicado em 2026 na revista Annals of Human Biology (volume 53, número 1) e divulgada em resumo do ScienceDaily em 8 de outubro de 2026. Os autores dizem que o fóssil sustenta a ideia de que a espécie apareceu pela primeira vez no sul da África, perto de 2 milhões de anos atrás.
Uma correção sobre o que circula na internet: alguns títulos atribuem o trabalho à revista Science. Segundo o resumo consultado pelo NTB, a revista é a Annals of Human Biology.
O fóssil e o lugar
O sítio é a pedreira principal de Drimolen, descoberta em 1992 e escavada até 2019. O estudo descreve 18 fósseis de hominínios (o grupo que inclui os humanos e seus parentes extintos mais próximos), atribuídos a duas espécies: Homo erectus e Paranthropus robustus. O novo espécime de H. erectus é um fragmento de crânio de adulto, catalogado como DNH 127, o segundo fragmento de crânio de H. erectus do local, segundo os autores.
O primeiro, DNH 134, é de uma criança de dois a quatro anos e já era conhecido. Por isso o adulto importa: sem ele, havia incerteza sobre como seriam os membros adultos da espécie naquele tempo e lugar.

200 mil anos a mais
O fóssil tem cerca de 2,0 milhões de anos, o que o torna aproximadamente 200 mil anos mais antigo que os fósseis de adultos de H. erectus de Dmanisi, na Geórgia, que têm cerca de 1,8 milhão de anos. A comparação é cuidadosa: ela vale para adultos. O resumo não descreve os métodos de datação usados em Drimolen, e esse é um ponto que o leitor interessado deve conferir no artigo original.
Quem é Homo erectus
O Homo erectus é descrito pelo autor principal, Dr. Jesse M. Martin, da Universidade La Trobe (Austrália), como a primeira espécie de hominínio que a maior parte dos especialistas aceita como pertencente ao gênero Homo e que provavelmente é ancestral direta dos humanos modernos. Os autores afirmam que a espécie tinha o cérebro em crescimento e molares menores, o que possivelmente se relaciona a uma dieta com mais carne. O resumo marca essa ligação com “possivelmente”: é uma hipótese do pesquisador, não um fato estabelecido.
O vizinho robusto: Paranthropus robustus
Em Drimolen também aparece o Paranthropus robustus, um parente de corpo forte e mastigação potente que viveu na mesma época, mas não é nosso ancestral direto (essa ressalva é contexto do NTB). Entre cerca de 2,0 e 1,8 milhão de anos atrás, a espécie desenvolveu dentes maiores e músculos mastigatórios mais fortes, à medida que o clima mudava. Segundo o resumo:
- em Drimolen, há cerca de 2 milhões de anos, o P. robustus era mais de dez vezes mais numeroso que o H. erectus;
- os exemplares de Drimolen diferem um pouco dos de Swartkrans (cerca de 1,8 milhão de anos), e os autores dizem que isso sustenta uma designação de subespécie própria, P. robustus ukusa;
- o P. robustus tinha cérebro só um pouco maior que o de um chimpanzé e molares muito grandes, adequados para esmagar alimentos duros, enquanto o H. erectus caminhava para cérebro maior e dentes menores.

Quem fez o estudo
O trabalho foi liderado por Jesse M. Martin, com coautoria de A. B. Leece, Stephanie Baker, Andy I. R. Herries e David S. Strait. As instituições envolvidas são: Universidade La Trobe (laboratórios de Paleociência); Universidade de Joanesburgo (Instituto de Pesquisa Paleo); Universidade de Witwatersrand (Instituto de Estudos Evolutivos); e Universidade de Washington em St. Louis (Departamento de Antropologia).
Como ler essa notícia
Fósseis de hominínios são raros, e quem os estuda quase sempre precisa fazer inferências sobre partes que faltam. Um fragmento de crânio permite comparações, mas não conta toda a história. O que o resumo permite afirmar com segurança é: existe um fragmento de crânio adulto de H. erectus em Drimolen, datado pelos autores em cerca de 2 milhões de anos, e eles o interpretam como sinal de que a espécie surgiu no sul da África. O que ainda é debate: a localização exata da origem da espécie, que alguns pesquisadores situam na África Oriental, e a relação entre os fósseis do sul da África, os de Dmanisi e os do leste do continente. Essa última ressalva é contexto geral do NTB, e não consta do resumo.
O achado também reforça a ideia de que, há 2 milhões de anos, diferentes hominínios dividiam a paisagem. Em Drimolen, o parente robusto era muito mais comum que o nosso ancestral provável, o que sugere que a linhagem que levou ao nosso gênero era, ali, minoritária.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB, a partir do resumo do ScienceDaily (08/10/2026) sobre o artigo em Annals of Human Biology (2026; 53(1)). O NTB não leu o artigo original; o resumo adverte que o conteúdo pode ter sido editado e recomenda consultar o estudo para dados e métodos. O resumo não descreve a datação. As imagens de crânios são ilustrativas, de coleções diversas, e não mostram os fósseis de Drimolen. Os trechos sobre o debate da origem da espécie e sobre o parentesco do Paranthropus são contexto do NTB.
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