Espaço
Crew-12 volta à Terra após 237 dias em órbita: cápsula Dragon amerrissa no Pacífico, na costa de Los Angeles
Quatro astronautas, entre eles a primeira francesa a fazer uma caminhada espacial, cumpriram mais de 3.792 órbitas. O retorno ocorreu dois dias depois do que o NTB havia noticiado, e a agência explica o balanço da missão em coletiva marcada para 15 de outubro.
A cápsula Crew Dragon Freedom, da SpaceX, trouxe de volta à Terra, em 8 de outubro de 2026, os quatro integrantes da missão Crew-12 da NASA. O pouso foi na água: a cápsula amerrissou (pousou no mar) no Oceano Pacífico, na costa de Los Angeles, na Califórnia, às 8h34 no horário do Pacífico. Em horário de Brasília, foi às 12h34. A NASA informa que equipes de recuperação da SpaceX retiraram cápsula e tripulação da água pouco depois do pouso.
Foram 237 dias em órbita, mais de 3.792 órbitas ao redor da Terra e mais de 100 milhões de milhas percorridas, ou cerca de 161 milhões de quilômetros, segundo os números da agência espacial americana.
Quem voltou
A tripulação reuniu astronautas de três agências espaciais:
- Jessica Meir, da NASA, em seu segundo voo espacial;
- Jack Hathaway, da NASA, em seu primeiro voo;
- Sophie Adenot, da ESA (a agência espacial europeia), em seu primeiro voo;
- Andrey Fedyaev, da Roscosmos (a agência espacial russa), em seu segundo voo.
A missão decolou em 13 de fevereiro de 2026, às 5h15 no horário de Nova York (EST), ou 7h15 em Brasília, e acoplou à Estação Espacial Internacional (ISS) um dia depois. A volta começou em 7 de outubro, quando a Dragon se desacoplou do módulo Harmony da estação às 8h05 do horário de Nova York (EDT), 9h05 em Brasília. Na manhã de 8 de outubro, a nave completou a queima de desorbitagem, o disparo dos motores que tira a cápsula da órbita, antes de entrar na atmosfera e abrir os paraquedas.

Como é a volta para casa
O retorno de uma cápsula Dragon segue uma sequência conhecida. Depois do desacoplamento, a nave se afasta da estação e espera a janela certa. A queima de desorbitagem reduz a velocidade, a cápsula entra na atmosfera protegida por um escudo térmico, enfrenta o aquecimento da reentrada e, já em baixa altitude, abre paraquedas para frear a descida. A foto da NASA que abre esta matéria mostra justamente esse momento, com quatro paraquedas abertos. O pouso é no mar, e barcos de recuperação içam a cápsula e abrem a escotilha para retirar a tripulação. Essa descrição geral do procedimento é contexto do NTB; a nota da NASA consultada só relata a queima de desorbitagem, a amerrissagem e a recuperação.
O local do pouso, na costa de Los Angeles, é um dos usados pela SpaceX no Pacífico. A escolha de onde e quando pousar depende do clima e do estado do mar, e é por isso que datas de retorno costumam ser anunciadas como previsões, sujeitas a mudança.
Caminhadas espaciais e recordes pessoais
Dois marcos chamam atenção no balanço divulgado pela NASA:
- Jessica Meir fez quatro caminhadas espaciais nesta missão, chegando a sete no total da carreira. Isso a coloca em terceiro lugar entre as mulheres da NASA, atrás de Peggy Whitson e Suni Williams.
- Sophie Adenot fez três caminhadas e se tornou a primeira mulher francesa a caminhar no espaço.
O que a tripulação pesquisou
A NASA lista cinco frentes de pesquisa conduzidas durante a missão. A agência não detalha resultados, apenas os temas:
- produção de células-tronco para terapias baseadas em células;
- geração de soro intravenoso sob demanda, uma tecnologia pensada para missões futuras em que não será possível levar estoques grandes de insumos médicos;
- como bactérias causadoras de pneumonia podem levar a danos de longo prazo no coração;
- pesquisas centradas em nutrição;
- como as características físicas de cada pessoa afetam o fluxo sanguíneo em voo espacial.
Esses estudos aproveitam a microgravidade, o ambiente em que o peso praticamente desaparece, para observar fenômenos que a gravidade da Terra mascara. Os resultados costumam levar meses ou anos para aparecer em publicações científicas, portanto o que existe agora é a lista dos experimentos, e não conclusões.
Depois do pouso
Segundo a NASA, depois dos exames médicos de rotina, a tripulação voa para terra firme e segue para o Centro Espacial Johnson, em Houston. Astronautas que passam meses em microgravidade costumam precisar de reabilitação para recuperar força muscular, densidade óssea e equilíbrio, mas a nota da agência não detalha como será esse processo para esta tripulação.
A coletiva de imprensa da missão está marcada para 15 de outubro de 2026, às 15h30 no horário de Nova York (16h30 em Brasília), no Centro Espacial Johnson. Participarão Meir, Hathaway e Fedyaev. Adenot, que retorna à Europa, não estará disponível. A agência abriu credenciamento para jornalistas, com prazo até 13 de outubro para pedidos presenciais.
Uma correção em relação ao que o NTB publicou antes
Quando noticiou a chegada da Crew-13 à estação, em 1º de outubro, o NTB informou, com base na reportagem da Spaceflight Now, que a Crew-12 voltaria à Terra em 6 de outubro, após 235 dias, e advertiu que a data dependia do clima e podia mudar. Ela mudou: o desacoplamento ocorreu em 7 de outubro e a amerrissagem em 8 de outubro, com 237 dias de missão. A NASA, na nota consultada, não informa o motivo do adiamento, e o NTB não vai especular. A matéria anterior será atualizada.
Por que a Crew-12 importa
As missões de revezamento da ISS, feitas pelo programa de tripulação comercial da NASA, mantêm a estação ocupada de forma contínua e sustentam a pesquisa em órbita. O retorno da Crew-12 fecha um ciclo de mais de sete meses em que a estação abrigou, ao lado de dois americanos, uma astronauta europeia e um cosmonauta russo. A estação tem fim de serviço previsto, e a ESA, por exemplo, assinou em 5 de outubro um memorando com a empresa Vast sobre possível cooperação futura em órbita baixa, como parte da preparação para o período pós-ISS.
No calendário imediato, a próxima viagem de carga da SpaceX à estação, a 35ª missão comercial de reabastecimento, está prevista para 13 de outubro, às 6h33 no horário de Nova York (7h33 em Brasília), levando, segundo a NASA, o último conjunto de painéis solares enroláveis.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB, a partir de comunicados e blogs oficiais da NASA (07 e 08/10/2026). Horários foram convertidos pelo NTB do fuso de Nova York (EDT, UTC−4; EST, UTC−5) e do Pacífico (PDT) para o de Brasília (UTC−3). As milhas foram convertidas em quilômetros (1 milha = 1,609 km). A informação sobre o memorando ESA–Vast vem do comunicado da ESA de 05/10/2026. A NASA não informou o motivo do adiamento do retorno nem o nome dos navios de recuperação.
Fontes
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