Sexta-feira, 9 de outubro de 2026Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Energia

NASA e Departamento de Energia dos EUA assinam acordo para energia nuclear no espaço: reator lunar até 2030 e propulsão nuclear em 2028

O memorando entra em vigor em 1º de novembro e cobre da produção de combustível ao lançamento. Os documentos oficiais não informam potência, tipo de propulsão, contratos nem orçamento.

Ilustração de um reator nuclear compacto na superfície lunar
Ilustração artística de 2018 de um sistema de energia nuclear na Lua, do projeto Kilopower (NASA, domínio público). É um conceito antigo, usado só como ilustração: não representa o LR-1. Foto/Imagem: NASA / Wikimedia Commons, Public domain

A NASA e o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE, na sigla em inglês) assinaram, em 8 de outubro de 2026, um memorando de entendimento intitulado “Accelerating American Leadership in Space Nuclear Power and Propulsion” (algo como “Acelerando a liderança americana em energia e propulsão nucleares espaciais”, tradução do NTB). O documento entra em vigor em 1º de novembro de 2026. Quem assinou foram o administrador da NASA, Jared Isaacman, e o secretário de Energia, Chris Wright, durante a cúpula “Science: A Golden Age”, em Washington. O diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, Michael Kratsios, esteve presente.

Um memorando de entendimento é um acordo de cooperação, não um contrato de compra nem uma liberação de verba. A própria NASA o descreve como um arcabouço. Isso é importante para calibrar o que a notícia realmente significa: ela estabelece como as duas agências vão trabalhar juntas, e não que um reator esteja pronto ou financiado.

O que o acordo cobre

Segundo o comunicado, o memorando cria uma estrutura de colaboração em toda a cadeia de energia nuclear espacial: pesquisa avançada, produção de combustível, testes, integração com o lançamento e operações. O comunicado diz que a segurança é o “pilar central”.

O texto cita como contexto uma ordem executiva de dezembro de 2025 sobre a superioridade americana no espaço, que, segundo a NASA, determina o desenvolvimento de um reator de superfície lunar pronto para lançamento até 2030. A agência diz que ela e o DOE fazem “progresso constante” nesse sentido. O NTB não leu a ordem executiva; a descrição é a do comunicado.

Dois programas com nome: SR-1 Freedom e LR-1

  • Space Reactor-1 Freedom (SR-1): previsto para ser lançado em 2028. Segundo a NASA, vai levar a propulsão nuclear do laboratório para o uso operacional no espaço profundo. A página consultada não especifica o tipo de propulsão. Existem, em geral, duas famílias: a propulsão nuclear térmica, em que um reator aquece um propelente, e a nuclear elétrica, em que um reator alimenta propulsores elétricos. O comunicado não diz qual é a escolhida, e o NTB não vai presumir.
  • Lunar Reactor-1 (LR-1): um sistema de energia por fissão para a superfície, concebido para alimentar a futura base lunar durante a noite lunar e em áreas sombreadas. Os usos listados são habitats, comunicações, instrumentos, veículos exploradores, processamento de recursos e outras infraestruturas. A NASA acrescenta que a energia nuclear será essencial para futuras missões a Marte.

Juntos, SR-1 e LR-1 são descritos como a base de uma cadeia industrial nacional de energia nuclear espacial.

Por que a Lua precisa de energia nuclear

Painéis solares funcionam bem onde há sol quase o tempo todo, mas a Lua tem noites de cerca de duas semanas terrestres, e muitas regiões de interesse, como crateras no polo sul, ficam em sombra permanente. Baterias para sobreviver a tanto tempo no escuro seriam enormes e pesadas. Um reator de fissão produz calor e eletricidade de forma contínua, independentemente da luz do Sol. Essa explicação é contexto do NTB, coerente com a descrição do comunicado de que o LR-1 alimentaria a base “durante a noite lunar e em áreas sombreadas”.

Cratera Shackleton no polo sul lunar, com interior em sombra
Cratera Shackleton, no polo sul da Lua (NASA/LRO e ShadowCam, domínio público): regiões assim ficam em sombra permanente, onde painéis solares não funcionam. Crédito: LROC (Lunar Reconnaissance Orbiter) and ShadowCam teams with images provided… / Wikimedia Commons, Public domain.

A parte que já existe: energia por decaimento radioativo

O comunicado também lembra trabalhos em andamento com energia radioisotópica, que usa o calor do decaimento natural de um material radioativo, em vez de uma reação em cadeia:

  • Dragonfly, missão da NASA a Titã, lua de Saturno, com lançamento previsto para 2028. O drone-helicóptero, do tamanho de um carro, usará um Gerador Termoelétrico de Radioisótopos Multimissão (MMRTG) e 24 unidades leves de aquecimento por radioisótopo (LWRHU) para gerar energia e se manter aquecido.
  • Rosalind Franklin, o jipe-robô da ESA (agência espacial europeia) que irá a Marte: NASA e DOE planejam fornecer 24 unidades de aquecimento semelhantes para manter os instrumentos aquecidos no frio marciano. O comunicado trata esse apoio como plano, não como fato consumado.

O que o comunicado não diz

A lista do que falta é longa e relevante. A página da NASA não traz:

  • a potência (em quilowatts elétricos ou similar) do SR-1 ou do LR-1;
  • o tipo de propulsão do SR-1;
  • contratos, valores ou empresas parceiras;
  • números de orçamento;
  • uma data específica de lançamento ou demonstração do LR-1 na Lua;
  • detalhes técnicos sobre a produção de combustível.

Os únicos prazos firmes são a meta de 2030 para o reator lunar e os lançamentos de 2028 do SR-1 e da Dragonfly. Prazos de projetos espaciais complexos costumam escorregar, e o NTB trata essas datas como metas anunciadas, não como garantias.

Segurança e controvérsia

Reatores no espaço levantam perguntas de segurança, sobretudo no lançamento, quando um acidente poderia espalhar material radioativo. O comunicado afirma que a segurança é o pilar central, mas não descreve medidas concretas. Reatores de fissão costumam ser lançados desligados, e só entram em operação no destino. Essa é uma prática descrita de forma geral na literatura sobre o tema, e não consta do comunicado. Quem quiser acompanhar o assunto deve esperar os documentos técnicos e as avaliações de segurança que a legislação americana exige para lançamentos desse tipo.

Nota da redação: texto elaborado pelo NTB, a partir do comunicado “NASA, Energy Department Advance New Era of Nuclear-Powered Exploration” (atualizado em 08/10/2026). O NTB não leu o memorando em si nem a ordem executiva de dezembro de 2025. O título do memorando e a fala sobre “sobreviver à noite” são traduções do NTB. Os parágrafos sobre painéis solares, tipos de propulsão nuclear e segurança de lançamento são contexto geral do NTB e não constam do comunicado. A ilustração é um conceito de 2018, de outro projeto, e não mostra o LR-1.

Fontes

Foto de Antonio Fernando Azevedo Souza Neto

Antonio Fernando Azevedo Souza Neto · Founder News Tech Brazil

Engenheiro Mecânico, Cientista da Computação e Matemático | Criador e redator do News Tech Brazil | Ciência • Tecnologia • Inovação • Engenharia Antonio Fernando Azevedo Souza Neto é um profissional com interesses multidisciplinares nas áreas de Engenharia, Computação, Matemática...

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