Energia
NASA e Departamento de Energia dos EUA assinam acordo para energia nuclear no espaço: reator lunar até 2030 e propulsão nuclear em 2028
O memorando entra em vigor em 1º de novembro e cobre da produção de combustível ao lançamento. Os documentos oficiais não informam potência, tipo de propulsão, contratos nem orçamento.
A NASA e o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE, na sigla em inglês) assinaram, em 8 de outubro de 2026, um memorando de entendimento intitulado “Accelerating American Leadership in Space Nuclear Power and Propulsion” (algo como “Acelerando a liderança americana em energia e propulsão nucleares espaciais”, tradução do NTB). O documento entra em vigor em 1º de novembro de 2026. Quem assinou foram o administrador da NASA, Jared Isaacman, e o secretário de Energia, Chris Wright, durante a cúpula “Science: A Golden Age”, em Washington. O diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, Michael Kratsios, esteve presente.
Um memorando de entendimento é um acordo de cooperação, não um contrato de compra nem uma liberação de verba. A própria NASA o descreve como um arcabouço. Isso é importante para calibrar o que a notícia realmente significa: ela estabelece como as duas agências vão trabalhar juntas, e não que um reator esteja pronto ou financiado.
O que o acordo cobre
Segundo o comunicado, o memorando cria uma estrutura de colaboração em toda a cadeia de energia nuclear espacial: pesquisa avançada, produção de combustível, testes, integração com o lançamento e operações. O comunicado diz que a segurança é o “pilar central”.
O texto cita como contexto uma ordem executiva de dezembro de 2025 sobre a superioridade americana no espaço, que, segundo a NASA, determina o desenvolvimento de um reator de superfície lunar pronto para lançamento até 2030. A agência diz que ela e o DOE fazem “progresso constante” nesse sentido. O NTB não leu a ordem executiva; a descrição é a do comunicado.
Dois programas com nome: SR-1 Freedom e LR-1
- Space Reactor-1 Freedom (SR-1): previsto para ser lançado em 2028. Segundo a NASA, vai levar a propulsão nuclear do laboratório para o uso operacional no espaço profundo. A página consultada não especifica o tipo de propulsão. Existem, em geral, duas famílias: a propulsão nuclear térmica, em que um reator aquece um propelente, e a nuclear elétrica, em que um reator alimenta propulsores elétricos. O comunicado não diz qual é a escolhida, e o NTB não vai presumir.
- Lunar Reactor-1 (LR-1): um sistema de energia por fissão para a superfície, concebido para alimentar a futura base lunar durante a noite lunar e em áreas sombreadas. Os usos listados são habitats, comunicações, instrumentos, veículos exploradores, processamento de recursos e outras infraestruturas. A NASA acrescenta que a energia nuclear será essencial para futuras missões a Marte.
Juntos, SR-1 e LR-1 são descritos como a base de uma cadeia industrial nacional de energia nuclear espacial.
Por que a Lua precisa de energia nuclear
Painéis solares funcionam bem onde há sol quase o tempo todo, mas a Lua tem noites de cerca de duas semanas terrestres, e muitas regiões de interesse, como crateras no polo sul, ficam em sombra permanente. Baterias para sobreviver a tanto tempo no escuro seriam enormes e pesadas. Um reator de fissão produz calor e eletricidade de forma contínua, independentemente da luz do Sol. Essa explicação é contexto do NTB, coerente com a descrição do comunicado de que o LR-1 alimentaria a base “durante a noite lunar e em áreas sombreadas”.

A parte que já existe: energia por decaimento radioativo
O comunicado também lembra trabalhos em andamento com energia radioisotópica, que usa o calor do decaimento natural de um material radioativo, em vez de uma reação em cadeia:
- Dragonfly, missão da NASA a Titã, lua de Saturno, com lançamento previsto para 2028. O drone-helicóptero, do tamanho de um carro, usará um Gerador Termoelétrico de Radioisótopos Multimissão (MMRTG) e 24 unidades leves de aquecimento por radioisótopo (LWRHU) para gerar energia e se manter aquecido.
- Rosalind Franklin, o jipe-robô da ESA (agência espacial europeia) que irá a Marte: NASA e DOE planejam fornecer 24 unidades de aquecimento semelhantes para manter os instrumentos aquecidos no frio marciano. O comunicado trata esse apoio como plano, não como fato consumado.
O que o comunicado não diz
A lista do que falta é longa e relevante. A página da NASA não traz:
- a potência (em quilowatts elétricos ou similar) do SR-1 ou do LR-1;
- o tipo de propulsão do SR-1;
- contratos, valores ou empresas parceiras;
- números de orçamento;
- uma data específica de lançamento ou demonstração do LR-1 na Lua;
- detalhes técnicos sobre a produção de combustível.
Os únicos prazos firmes são a meta de 2030 para o reator lunar e os lançamentos de 2028 do SR-1 e da Dragonfly. Prazos de projetos espaciais complexos costumam escorregar, e o NTB trata essas datas como metas anunciadas, não como garantias.
Segurança e controvérsia
Reatores no espaço levantam perguntas de segurança, sobretudo no lançamento, quando um acidente poderia espalhar material radioativo. O comunicado afirma que a segurança é o pilar central, mas não descreve medidas concretas. Reatores de fissão costumam ser lançados desligados, e só entram em operação no destino. Essa é uma prática descrita de forma geral na literatura sobre o tema, e não consta do comunicado. Quem quiser acompanhar o assunto deve esperar os documentos técnicos e as avaliações de segurança que a legislação americana exige para lançamentos desse tipo.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB, a partir do comunicado “NASA, Energy Department Advance New Era of Nuclear-Powered Exploration” (atualizado em 08/10/2026). O NTB não leu o memorando em si nem a ordem executiva de dezembro de 2025. O título do memorando e a fala sobre “sobreviver à noite” são traduções do NTB. Os parágrafos sobre painéis solares, tipos de propulsão nuclear e segurança de lançamento são contexto geral do NTB e não constam do comunicado. A ilustração é um conceito de 2018, de outro projeto, e não mostra o LR-1.
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