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Saúde

Dieta cetogênica aumentou tumores no intestino delgado e reduziu os do cólon em camundongos, mostra estudo do MIT na Nature

A queima de gordura, e não as cetonas, ativou proteínas PPAR e fez células-tronco intestinais se dividirem mais. O trabalho foi feito em animais predispostos a tumores e não permite concluir nada sobre pessoas.

Corte histológico de intestino delgado ao microscópio
Corte histológico de intestino delgado (imagem da OpenStax College, CC BY 3.0). Imagem ilustrativa. Foto/Imagem: OpenStax College / Wikimedia Commons, CC BY 3.0

A dieta cetogênica — rica em gordura e pobre em carboidratos — tem efeitos diferentes em partes diferentes do intestino, ao menos em camundongos. Um grupo do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), liderado por Omer Yilmaz, diretor da Iniciativa de Células-Tronco da instituição, publicou na revista Nature, em outubro de 2026, um estudo em que a dieta aumentou os tumores do intestino delgado e reduziu os do cólon. Os autores principais são os pesquisadores de pós-doutorado Jessica Shay e Fangtao Chi. O resumo foi divulgado pelo ScienceDaily em 5 de outubro.

O experimento

Camundongos geneticamente predispostos a desenvolver tumores intestinais receberam um de três regimes: dieta cetogênica, dieta de controle padrão ou dieta rica em gordura e calorias. A cetogênica produziu resultados contrastantes no mesmo órgão: muito mais tumores no intestino delgado e menos no cólon. Ou seja, a resposta dependia do tecido.

O mecanismo

Segundo os autores, o efeito não vem das cetonas em si, mas da oxidação de ácidos graxos, a queima de gordura como fonte de energia. Esse processo ativou proteínas chamadas PPAR, que estimularam as células-tronco intestinais a se dividirem mais rapidamente, elevando o risco de câncer. Segundo Yilmaz, o que pode ser benéfico para um tecido pode ser prejudicial para outro.

Grande Domo do MIT, em Cambridge, Massachusetts
O Grande Domo do MIT, em Cambridge (foto de John Phelan, CC BY 3.0). Imagem de arquivo, ilustrativa. Crédito: John Phelan / Wikimedia Commons, CC BY 3.0.

Implicações — e limites

  • Como as cetonas por si só não ativam essa via, suplementos de cetonas provavelmente não teriam nem o efeito promotor nem o supressor de tumores, já que não passam pelo caminho da queima de gordura;
  • Os resultados interessam particularmente a pessoas com polipose adenomatosa familiar (predisposição hereditária a pólipos intestinais) e ao aumento da incidência de câncer do intestino delgado, hoje raro, mas em alta;
  • O estudo usou apenas camundongos e não estabelece o que acontece em humanos;
  • Ele não investigou o papel de ácidos biliares nem da microbiota.

O que isso significa para quem faz dieta cetogênica

Nada de conclusivo. Estudos em camundongos geneticamente predispostos são o primeiro passo para formular hipóteses; para pessoas, seriam necessários estudos observacionais e clínicos. Quem segue a dieta por indicação médica — por exemplo, em certas epilepsias — não deve interromper o tratamento por causa desta notícia, e qualquer mudança alimentar relevante deve ser discutida com um profissional de saúde.

Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir do resumo do ScienceDaily (05/10/2026) sobre artigo da Nature. O NTB não leu o artigo original. As orientações do último parágrafo são cautelas gerais do NTB. Informações de saúde não substituem avaliação profissional.

Fontes

Antonio Fernando Azevedo Souza Neto · Founder News Tech Brazil

Engenheiro Mecânico, Cientista da Computação e Matemático | Criador e redator do News Tech Brazil | Ciência • Tecnologia • Inovação • Engenharia

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