Saúde
Dieta cetogênica aumentou tumores no intestino delgado e reduziu os do cólon em camundongos, mostra estudo do MIT na Nature
A queima de gordura, e não as cetonas, ativou proteínas PPAR e fez células-tronco intestinais se dividirem mais. O trabalho foi feito em animais predispostos a tumores e não permite concluir nada sobre pessoas.
A dieta cetogênica — rica em gordura e pobre em carboidratos — tem efeitos diferentes em partes diferentes do intestino, ao menos em camundongos. Um grupo do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), liderado por Omer Yilmaz, diretor da Iniciativa de Células-Tronco da instituição, publicou na revista Nature, em outubro de 2026, um estudo em que a dieta aumentou os tumores do intestino delgado e reduziu os do cólon. Os autores principais são os pesquisadores de pós-doutorado Jessica Shay e Fangtao Chi. O resumo foi divulgado pelo ScienceDaily em 5 de outubro.
O experimento
Camundongos geneticamente predispostos a desenvolver tumores intestinais receberam um de três regimes: dieta cetogênica, dieta de controle padrão ou dieta rica em gordura e calorias. A cetogênica produziu resultados contrastantes no mesmo órgão: muito mais tumores no intestino delgado e menos no cólon. Ou seja, a resposta dependia do tecido.
O mecanismo
Segundo os autores, o efeito não vem das cetonas em si, mas da oxidação de ácidos graxos, a queima de gordura como fonte de energia. Esse processo ativou proteínas chamadas PPAR, que estimularam as células-tronco intestinais a se dividirem mais rapidamente, elevando o risco de câncer. Segundo Yilmaz, o que pode ser benéfico para um tecido pode ser prejudicial para outro.

Implicações — e limites
- Como as cetonas por si só não ativam essa via, suplementos de cetonas provavelmente não teriam nem o efeito promotor nem o supressor de tumores, já que não passam pelo caminho da queima de gordura;
- Os resultados interessam particularmente a pessoas com polipose adenomatosa familiar (predisposição hereditária a pólipos intestinais) e ao aumento da incidência de câncer do intestino delgado, hoje raro, mas em alta;
- O estudo usou apenas camundongos e não estabelece o que acontece em humanos;
- Ele não investigou o papel de ácidos biliares nem da microbiota.
O que isso significa para quem faz dieta cetogênica
Nada de conclusivo. Estudos em camundongos geneticamente predispostos são o primeiro passo para formular hipóteses; para pessoas, seriam necessários estudos observacionais e clínicos. Quem segue a dieta por indicação médica — por exemplo, em certas epilepsias — não deve interromper o tratamento por causa desta notícia, e qualquer mudança alimentar relevante deve ser discutida com um profissional de saúde.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir do resumo do ScienceDaily (05/10/2026) sobre artigo da Nature. O NTB não leu o artigo original. As orientações do último parágrafo são cautelas gerais do NTB. Informações de saúde não substituem avaliação profissional.
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