Segunda-feira, 5 de outubro de 2026Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Saúde

InfoGripe: casos graves de doenças respiratórias crescem em crianças no Rio de Janeiro e em Sergipe, e rinovírus lidera nas últimas semanas

Boletim da Fiocruz referente à semana epidemiológica 38 aponta alta de SRAG em menores de 5 anos, associada a metapneumovírus e rinovírus, além de sinais de aumento de influenza B na Bahia e no Mato Grosso e de Covid-19 em Acre e São Paulo.

Imagem de microscopia eletrônica do vírus sincicial respiratório humano
Imagem de microscopia do vírus sincicial respiratório humano (NIAID, CC BY 2.0). O VSR é o vírus mais frequente entre os casos de SRAG com identificação em 2026. Foto/Imagem: NIAID / Wikimedia Commons, CC BY 2.0

A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) voltou a crescer entre crianças pequenas em dois estados brasileiros. O boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado em 1º de outubro de 2026 e referente à semana epidemiológica 38 (de 20 a 26 de setembro), mostra aumento de casos graves em menores de 5 anos no Rio de Janeiro e em Sergipe, associado principalmente ao metapneumovírus e ao rinovírus. O quadro nacional, porém, é heterogêneo: há também sinais de alta de influenza B em dois estados e de Covid-19 em outros dois.

O que o boletim aponta

Segundo a Fiocruz, os estados com tendência de crescimento são:

  • Rio de Janeiro e Sergipe: aumento de SRAG em crianças de até 4 anos, associado a metapneumovírus e rinovírus;
  • Bahia e Mato Grosso: alta de casos de influenza B;
  • Acre e São Paulo: indícios de aumento de casos graves de Covid-19, ainda em patamares baixos de incidência.

Entre as capitais, Porto Alegre, Rio Branco e Rio de Janeiro aparecem em nível de alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento de SRAG nas últimas seis semanas.

Quem circula agora: rinovírus domina as últimas semanas

O InfoGripe monitora os casos de SRAG hospitalizados em todo o país, a partir das notificações ao Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe. No acumulado de 2026, o boletim contabiliza 157.908 casos de SRAG. Entre os casos com resultado laboratorial, 85.087 foram positivos para algum vírus respiratório e 56.799 foram negativos, e cerca de 7.090 aguardam resultado. Entre os positivos, a distribuição no ano é:

  • vírus sincicial respiratório (VSR): 40,4%;
  • rinovírus: 32,1%;
  • influenza A: 16,4%;
  • influenza B: 5,5%;
  • SARS-CoV-2 (Covid-19): 3,8%.

O retrato muda quando se olha apenas para as últimas quatro semanas: nesse período, o rinovírus responde por 52,4% dos casos positivos, seguido por VSR (18,1%), influenza B (6,7%), Covid-19 (4%) e influenza A (3,2%). Em geral, mudanças desse tipo acompanham o fim da temporada do VSR e da influenza A e a maior circulação do rinovírus, que causa desde resfriados comuns até quadros graves em crianças pequenas — uma interpretação do NTB, não do boletim.

Partículas de vírus influenza A (H3N2) em microscopia
Partículas do vírus influenza A (H3N2) em imagem de microscopia (NIAID, domínio público). A influenza A teve 16,4% dos casos positivos de SRAG em 2026, mas só 3,2% nas últimas quatro semanas. Crédito: NIAID / Wikimedia Commons, Public domain.

Mortes: o que a distribuição mostra

Em relação aos óbitos de SRAG com identificação de vírus no período recente, o boletim apresenta a seguinte distribuição: rinovírus, 34,7%; VSR, 22,3%; influenza A e B, 13,2% cada; SARS-CoV-2, 9,1%. Esses percentuais descrevem a participação de cada vírus entre os óbitos com resultado positivo e não indicam, isoladamente, qual vírus é mais letal — o rinovírus, por exemplo, tem mais peso porque circula muito mais.

Por que as crianças pequenas são o foco

Bebês e crianças de até 4 anos têm vias aéreas estreitas e sistema imunológico ainda em formação, o que torna mais frequente a progressão de infecções virais comuns para bronquiolite, pneumonia e outras complicações que exigem internação. Metapneumovírus e VSR são, historicamente, causas importantes de bronquiolite nessa faixa etária. A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, é citada na divulgação do boletim.

O que fazer

Embora o boletim descreva a situação de vigilância e não traga um roteiro de recomendações detalhado, as orientações gerais de saúde pública para esse cenário são conhecidas:

  • Procurar atendimento diante de sinais de gravidade em crianças — respiração rápida ou difícil, “chiado” no peito, tiragem (afundamento das costelas ao respirar), recusa de mamar ou de se alimentar, sonolência excessiva, febre persistente ou lábios arroxeados;
  • Manter a vacinação em dia, incluindo influenza e Covid-19 conforme o calendário do Programa Nacional de Imunizações para cada faixa etária;
  • Higiene das mãos e etiqueta respiratória, e evitar levar crianças doentes à creche ou à escola;
  • Ventilar ambientes e, em surtos escolares, considerar o uso de máscara por quem tem sintomas.

Como ler o InfoGripe

O InfoGripe é um sistema de monitoramento da Fiocruz que reúne notificações de SRAG hospitalizada no país e usa modelos para estimar tendências e corrigir atrasos de notificação. Os números das semanas mais recentes são, por natureza, provisórios e tendem a ser revisados. O boletim serve para identificar onde e quando a atenção deve aumentar, e não para estimar o total de infecções leves, que não entram na contagem de SRAG.

Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir da reportagem da Agência Fiocruz de Notícias sobre o boletim InfoGripe. As orientações finais e a explicação sobre faixa etária e interpretação do boletim são conhecimento geral de saúde pública e não constam da fonte; não substituem avaliação médica.

Fontes

Redação NTB · Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Conteúdo elaborado pela equipe do News Tech Brazil a partir de fontes públicas, com apoio de ferramentas de inteligência artificial e revisão editorial. Todas as matérias listam suas fontes.

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