Saúde
InfoGripe: casos graves de doenças respiratórias crescem em crianças no Rio de Janeiro e em Sergipe, e rinovírus lidera nas últimas semanas
Boletim da Fiocruz referente à semana epidemiológica 38 aponta alta de SRAG em menores de 5 anos, associada a metapneumovírus e rinovírus, além de sinais de aumento de influenza B na Bahia e no Mato Grosso e de Covid-19 em Acre e São Paulo.
A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) voltou a crescer entre crianças pequenas em dois estados brasileiros. O boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado em 1º de outubro de 2026 e referente à semana epidemiológica 38 (de 20 a 26 de setembro), mostra aumento de casos graves em menores de 5 anos no Rio de Janeiro e em Sergipe, associado principalmente ao metapneumovírus e ao rinovírus. O quadro nacional, porém, é heterogêneo: há também sinais de alta de influenza B em dois estados e de Covid-19 em outros dois.
O que o boletim aponta
Segundo a Fiocruz, os estados com tendência de crescimento são:
- Rio de Janeiro e Sergipe: aumento de SRAG em crianças de até 4 anos, associado a metapneumovírus e rinovírus;
- Bahia e Mato Grosso: alta de casos de influenza B;
- Acre e São Paulo: indícios de aumento de casos graves de Covid-19, ainda em patamares baixos de incidência.
Entre as capitais, Porto Alegre, Rio Branco e Rio de Janeiro aparecem em nível de alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento de SRAG nas últimas seis semanas.
Quem circula agora: rinovírus domina as últimas semanas
O InfoGripe monitora os casos de SRAG hospitalizados em todo o país, a partir das notificações ao Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe. No acumulado de 2026, o boletim contabiliza 157.908 casos de SRAG. Entre os casos com resultado laboratorial, 85.087 foram positivos para algum vírus respiratório e 56.799 foram negativos, e cerca de 7.090 aguardam resultado. Entre os positivos, a distribuição no ano é:
- vírus sincicial respiratório (VSR): 40,4%;
- rinovírus: 32,1%;
- influenza A: 16,4%;
- influenza B: 5,5%;
- SARS-CoV-2 (Covid-19): 3,8%.
O retrato muda quando se olha apenas para as últimas quatro semanas: nesse período, o rinovírus responde por 52,4% dos casos positivos, seguido por VSR (18,1%), influenza B (6,7%), Covid-19 (4%) e influenza A (3,2%). Em geral, mudanças desse tipo acompanham o fim da temporada do VSR e da influenza A e a maior circulação do rinovírus, que causa desde resfriados comuns até quadros graves em crianças pequenas — uma interpretação do NTB, não do boletim.

Mortes: o que a distribuição mostra
Em relação aos óbitos de SRAG com identificação de vírus no período recente, o boletim apresenta a seguinte distribuição: rinovírus, 34,7%; VSR, 22,3%; influenza A e B, 13,2% cada; SARS-CoV-2, 9,1%. Esses percentuais descrevem a participação de cada vírus entre os óbitos com resultado positivo e não indicam, isoladamente, qual vírus é mais letal — o rinovírus, por exemplo, tem mais peso porque circula muito mais.
Por que as crianças pequenas são o foco
Bebês e crianças de até 4 anos têm vias aéreas estreitas e sistema imunológico ainda em formação, o que torna mais frequente a progressão de infecções virais comuns para bronquiolite, pneumonia e outras complicações que exigem internação. Metapneumovírus e VSR são, historicamente, causas importantes de bronquiolite nessa faixa etária. A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, é citada na divulgação do boletim.
O que fazer
Embora o boletim descreva a situação de vigilância e não traga um roteiro de recomendações detalhado, as orientações gerais de saúde pública para esse cenário são conhecidas:
- Procurar atendimento diante de sinais de gravidade em crianças — respiração rápida ou difícil, “chiado” no peito, tiragem (afundamento das costelas ao respirar), recusa de mamar ou de se alimentar, sonolência excessiva, febre persistente ou lábios arroxeados;
- Manter a vacinação em dia, incluindo influenza e Covid-19 conforme o calendário do Programa Nacional de Imunizações para cada faixa etária;
- Higiene das mãos e etiqueta respiratória, e evitar levar crianças doentes à creche ou à escola;
- Ventilar ambientes e, em surtos escolares, considerar o uso de máscara por quem tem sintomas.
Como ler o InfoGripe
O InfoGripe é um sistema de monitoramento da Fiocruz que reúne notificações de SRAG hospitalizada no país e usa modelos para estimar tendências e corrigir atrasos de notificação. Os números das semanas mais recentes são, por natureza, provisórios e tendem a ser revisados. O boletim serve para identificar onde e quando a atenção deve aumentar, e não para estimar o total de infecções leves, que não entram na contagem de SRAG.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir da reportagem da Agência Fiocruz de Notícias sobre o boletim InfoGripe. As orientações finais e a explicação sobre faixa etária e interpretação do boletim são conhecimento geral de saúde pública e não constam da fonte; não substituem avaliação médica.
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.
Comentar