Meio Ambiente
Manejo sustentável de jacarés une saber tradicional e ciência para conservar a espécie e gerar renda em comunidade da Amazônia
No Instituto Mamirauá, ligado ao MCTI, a comunidade de Jaraguá, em Uarini (AM), faz a captura controlada de até 15% dos animais contados. O primeiro manejo com licença completa ocorreu em 2020.
Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, um projeto une conhecimento tradicional e pesquisa científica para fazer o manejo sustentável de jacarés: conservar a espécie e, ao mesmo tempo, gerar renda para a população local. A iniciativa, divulgada pelo MCTI em 2 de outubro de 2026, é conduzida pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, organização social vinculada ao ministério e uma das duas instituições autorizadas no país a realizar a atividade.
Onde e com quem
O trabalho acontece, entre outros locais, na comunidade rural de Jaraguá, no município de Uarini (AM). A comunidade participa de todas as etapas: acompanhamento dos animais, captura e comercialização, com treinamento em fiscalização, processamento e práticas de venda.
Como funciona
Existem três formas de manejo de jacarés: o intensivo (criação em cativeiro), o semi-intensivo (ovos ou filhotes da natureza criados em cativeiro) e o extensivo (colheita na natureza). O projeto usa a colheita em populações que vivem livres, com protocolos rígidos:
- os ninhos são monitorados todos os anos, com contagem individual;
- a captura é limitada a no máximo 15% dos indivíduos contados;
- as áreas de nidificação são protegidas;
- pelo texto do MCTI, a captura de machos e fêmeas adultos é proibida.

O papel do saber tradicional
O coordenador de manejo de fauna do instituto, Diogo de Lima Franco, afirma que o conhecimento das populações tradicionais é fundamental. Segundo ele, os moradores sabem quando os animais são mais fáceis de encontrar e onde se reproduzem, informações que orientam a contagem e o planejamento da colheita. Em outras palavras, a ciência valida e organiza um saber que já existe na comunidade.
Um frigorífico flutuante
Em 2018, foi autorizada a Planta de Abate Remoto (Plantar), descrita pelo MCTI como a primeira unidade flutuante de abate do Brasil. Ela permite o processamento dos animais no próprio local, dentro de normas sanitárias, o que viabiliza a venda do produto de forma regulamentada.
Uma história de duas décadas
Os primeiros abates experimentais ocorreram em 2004, 2006, 2008 e 2010. O primeiro manejo com a devida licença aconteceu em 2020. Ou seja: foram cerca de 16 anos entre os primeiros testes e a atividade regular, tempo que reflete o cuidado exigido para provar que a retirada controlada não ameaça as populações.

Por que importa
O caso é um exemplo de bioeconomia — uso econômico da floresta em pé. A lógica é que, quando a população local tem renda com um recurso e regras claras para protegê-lo, passa a ter interesse em conservar a espécie e o ambiente, o que também ajuda a combater a caça ilegal. O texto do MCTI não traz números de renda, de famílias atendidas ou de animais retirados; sem esses dados, o impacto econômico ainda precisa ser avaliado com mais detalhes.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir da notícia do MCTI (02/10/2026). A espécie não é especificada pelo ministério; a foto de abertura é ilustrativa (de outra reserva) e mostra um jacaré-açu. A frase sobre a proibição de capturar adultos reproduz o texto do MCTI.
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