Segunda-feira, 5 de outubro de 2026Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Espaço

Dois nanossatélites construídos por 100 estudantes de escolas públicas de São Paulo e do Ceará vão ao espaço em foguete da SpaceX

Projeto “AEB – Escola em Órbita”, da Agência Espacial Brasileira, levou alunos de Sorocaba e Fortaleza a montar, programar e definir as missões dos satélites EduSat-2 e EduSat-3, lançados na missão Transporter-18.

Foguete Falcon 9 em preparação na Base Espacial de Vandenberg, na Califórnia
Preparação de uma missão Transporter, da SpaceX, na Base de Vandenberg, na Califórnia (foto da Força Espacial dos EUA, domínio público; missão Transporter-17, de arquivo). Foto/Imagem: U.S. Space Force photo by Airman Enso Valle / Wikimedia Commons, Public domain

Cem estudantes de escolas públicas ajudaram a construir satélites que agora estão no espaço. O projeto “AEB – Escola em Órbita”, desenvolvido pela empresa Ideia Space em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), levou alunos de São Paulo e do Ceará a montar, programar e definir as missões de dois nanossatélites, o EduSat-2 e o EduSat-3. O lançamento estava marcado para 1º de outubro de 2026, em um foguete Falcon 9, da SpaceX, na missão Transporter-18, a partir da Base Espacial de Vandenberg, na Califórnia (EUA), segundo o MCTI.

Quem são os estudantes

De acordo com o ministério, os 100 participantes se dividem em dois grupos de 50:

  • São Paulo: 50 alunos da Escola Municipal Dr. Getúlio Vargas, em Sorocaba, do ensino fundamental;
  • Ceará: 50 alunos do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Professor Paulo Ayrton de Araújo, em Fortaleza, com participantes dos níveis fundamental, médio e técnico.

A frase que o MCTI destaca resume o aprendizado: eles conseguiram viver, na prática, os processos de montagem, programação e definição das missões.

Mãos segurando um satélite no formato PocketQube
Um satélite no formato PocketQube, segurado por um artista brasileiro durante a Bienal do Mercosul, em 2022 (foto de Clara Marques, CC BY-SA 4.0). Imagem ilustrativa: não é o EduSat. Crédito: Clara Marques / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Os satélites: pequenos, no padrão PocketQube

Os dois satélites seguem o padrão PocketQube, uma categoria de nanossatélites ainda menores que os conhecidos CubeSats — cada unidade tem cerca de 5 centímetros de lado. O EduSat-2 tem como foco a observação de desafios de alagamentos e de conectividade em Sorocaba, a cidade paulista dos alunos participantes. O EduSat-3 foi construído pelos estudantes cearenses. As informações oficiais não detalham os sensores a bordo nem a órbita final; segundo a pesquisa do NTB, o EduSat é descrito em catálogos de nanossatélites como um projeto para demonstrar sensores de internet das coisas, o que ainda deve ser confirmado em fontes dos responsáveis.

A divisão de papéis segue uma lógica de educação por projeto: em vez de estudar teoria de física e programação em abstrato, os alunos têm um problema real — como monitorar alagamentos usando dados de satélite — e produzem um equipamento que precisa funcionar no espaço.

O foguete: uma carona compartilhada

A missão Transporter-18 é um voo da SpaceX dedicado a pequenos satélites que vão compartilhar um mesmo foguete rumo a uma órbita sincronizada com o Sol. Segundo os calendários de lançamentos, a missão levaria dezenas de satélites de clientes de vários países. O compartilhamento de foguete é o que torna viável, financeiramente, projetos educacionais e universitários: cada passageiro paga uma fração do custo de um lançamento inteiro.

Vista aérea de Fortaleza, no Ceará
Vista de Fortaleza (CE), cidade de parte dos estudantes (foto de Esquilo, CC BY-SA 3.0, de 2021). Crédito: Esquilo / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.

O que vem a seguir

A fonte oficial não informa se os satélites já foram acionados, nem como será a comunicação com eles; essas informações costumam vir depois da separação do foguete e do primeiro contato com as estações em solo. Já a próxima fase do projeto está definida: em Sorocaba, ele vai formar outros 500 estudantes em projeto de missões espaciais.

O programa tem um objetivo claro além da ciência: despertar vocações para o setor espacial, que no Brasil carece de profissionais. Ver estudantes de escolas públicas — da rede municipal ao instituto federal — em um projeto com lançamento internacional ajuda a mostrar que o caminho até o espaço pode começar na sala de aula.

Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir do comunicado do MCTI (30/09/2026). O horário do lançamento divulgado pelo ministério diverge de calendários internacionais, e por isso não é citado aqui; o NTB não conseguiu confirmar que os satélites foram efetivamente lançados e acionados. A explicação sobre PocketQube e sobre carona compartilhada é contexto técnico geral.

Fontes

Redação NTB · Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Conteúdo elaborado pela equipe do News Tech Brazil a partir de fontes públicas, com apoio de ferramentas de inteligência artificial e revisão editorial. Todas as matérias listam suas fontes.

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