Espaço
Dois nanossatélites construídos por 100 estudantes de escolas públicas de São Paulo e do Ceará vão ao espaço em foguete da SpaceX
Projeto “AEB – Escola em Órbita”, da Agência Espacial Brasileira, levou alunos de Sorocaba e Fortaleza a montar, programar e definir as missões dos satélites EduSat-2 e EduSat-3, lançados na missão Transporter-18.
Cem estudantes de escolas públicas ajudaram a construir satélites que agora estão no espaço. O projeto “AEB – Escola em Órbita”, desenvolvido pela empresa Ideia Space em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), levou alunos de São Paulo e do Ceará a montar, programar e definir as missões de dois nanossatélites, o EduSat-2 e o EduSat-3. O lançamento estava marcado para 1º de outubro de 2026, em um foguete Falcon 9, da SpaceX, na missão Transporter-18, a partir da Base Espacial de Vandenberg, na Califórnia (EUA), segundo o MCTI.
Quem são os estudantes
De acordo com o ministério, os 100 participantes se dividem em dois grupos de 50:
- São Paulo: 50 alunos da Escola Municipal Dr. Getúlio Vargas, em Sorocaba, do ensino fundamental;
- Ceará: 50 alunos do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Professor Paulo Ayrton de Araújo, em Fortaleza, com participantes dos níveis fundamental, médio e técnico.
A frase que o MCTI destaca resume o aprendizado: eles conseguiram viver, na prática, os processos de montagem, programação e definição das missões.

Os satélites: pequenos, no padrão PocketQube
Os dois satélites seguem o padrão PocketQube, uma categoria de nanossatélites ainda menores que os conhecidos CubeSats — cada unidade tem cerca de 5 centímetros de lado. O EduSat-2 tem como foco a observação de desafios de alagamentos e de conectividade em Sorocaba, a cidade paulista dos alunos participantes. O EduSat-3 foi construído pelos estudantes cearenses. As informações oficiais não detalham os sensores a bordo nem a órbita final; segundo a pesquisa do NTB, o EduSat é descrito em catálogos de nanossatélites como um projeto para demonstrar sensores de internet das coisas, o que ainda deve ser confirmado em fontes dos responsáveis.
A divisão de papéis segue uma lógica de educação por projeto: em vez de estudar teoria de física e programação em abstrato, os alunos têm um problema real — como monitorar alagamentos usando dados de satélite — e produzem um equipamento que precisa funcionar no espaço.
O foguete: uma carona compartilhada
A missão Transporter-18 é um voo da SpaceX dedicado a pequenos satélites que vão compartilhar um mesmo foguete rumo a uma órbita sincronizada com o Sol. Segundo os calendários de lançamentos, a missão levaria dezenas de satélites de clientes de vários países. O compartilhamento de foguete é o que torna viável, financeiramente, projetos educacionais e universitários: cada passageiro paga uma fração do custo de um lançamento inteiro.

O que vem a seguir
A fonte oficial não informa se os satélites já foram acionados, nem como será a comunicação com eles; essas informações costumam vir depois da separação do foguete e do primeiro contato com as estações em solo. Já a próxima fase do projeto está definida: em Sorocaba, ele vai formar outros 500 estudantes em projeto de missões espaciais.
O programa tem um objetivo claro além da ciência: despertar vocações para o setor espacial, que no Brasil carece de profissionais. Ver estudantes de escolas públicas — da rede municipal ao instituto federal — em um projeto com lançamento internacional ajuda a mostrar que o caminho até o espaço pode começar na sala de aula.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir do comunicado do MCTI (30/09/2026). O horário do lançamento divulgado pelo ministério diverge de calendários internacionais, e por isso não é citado aqui; o NTB não conseguiu confirmar que os satélites foram efetivamente lançados e acionados. A explicação sobre PocketQube e sobre carona compartilhada é contexto técnico geral.
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.
Comentar