Segunda-feira, 5 de outubro de 2026Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Meio Ambiente

Mudança climática é a maior ameaça futura para 41% dos brasileiros, mas some da lista de preocupações imediatas, mostra pesquisa

Levantamento do Instituto Oyá com a Ipsos ouviu 2 mil pessoas e aponta um paradoxo: o clima lidera os medos de longo prazo, cai para o 9º lugar (14%) no cotidiano e esbarra na desinformação — 78% dizem não conseguir distinguir notícia falsa de verdadeira sobre eventos climáticos.

Imagem de satélite da NASA mostrando onda de calor no verão sul-americano
Imagem de satélite da NASA (Earth Observatory) de uma onda de calor no verão sul-americano (domínio público). Imagem de arquivo: não corresponde a data específica da pesquisa. Foto/Imagem: NASA Earth Observatory image by Michala Garrison, using GEOS-5 data from the… / Wikimedia Commons, Public domain

Para boa parte dos brasileiros, a mudança climática é o maior problema do futuro — mas não do dia a dia. É o que mostra uma pesquisa do Instituto Oyá, feita em parceria com a Ipsos, com 2 mil brasileiros, divulgada em 3 de outubro de 2026 pela Agência Brasil, em reportagem de Luiz Claudio Ferreira. O levantamento traça um retrato de contradições: o tema aparece no topo dos medos de longo prazo, mas perde espaço quando as pessoas falam de suas preocupações imediatas — e é atravessado pela dificuldade de separar informação confiável de desinformação.

A ameaça do futuro: clima à frente do desemprego

Ao serem perguntados sobre qual consideram a maior ameaça futura, 41% dos entrevistados citaram a mudança climática. Em seguida aparecem, com percentuais próximos:

  • perda de emprego: 32%;
  • retrocesso da democracia: 32%;
  • piora da saúde: 31%;
  • escassez de alimentos: 30%;
  • pandemias: 24%.

Na comparação internacional, o Brasil ocupa a 20ª posição entre os países mais preocupados com o clima, segundo o levantamento.

O paradoxo do presente

Quando a pergunta muda para as preocupações imediatas — o que mais inquieta hoje —, o quadro se inverte: a mudança climática cai para o 9º lugar, com 14% das menções, e as ameaças ambientais em geral aparecem em 10º, com 10%. Em outras palavras, o brasileiro reconhece o risco como um problema grande, mas o enxerga como algo adiante; no cotidiano, outras urgências — economia, segurança, saúde — ocupam a frente.

A distância entre o medo abstrato e a urgência concreta é um desafio clássico da comunicação sobre o clima. Eventos extremos — como ondas de calor, secas e enchentes — são justamente o ponto em que o futuro vira presente; ligar esses episódios às mudanças do clima é o desafio que a pesquisa sugere (leitura do NTB).

Imagem de satélite do Lago Tefé, na Amazônia, durante a seca de 2024
Imagem de satélite (Copernicus Sentinel-2) do Lago Tefé, na Amazônia, durante a seca de setembro de 2024 (CC BY 4.0). Imagem de arquivo, usada para ilustrar eventos extremos. Crédito: Copernicus Sentinel-2 imagery, EK - GD DEFIS, EC - DG DEFIS, SPACETEC… / Wikimedia Commons, CC BY 4.0.

Desinformação: “o brasileiro não é negacionista, está mal informado”

O dado mais forte da pesquisa talvez seja o da desinformação: 78% dos entrevistados dizem não conseguir distinguir notícias falsas de informações corretas sobre eventos climáticos. Camila Kamilo, diretora do instituto, resumiu o diagnóstico em uma frase: o brasileiro não é negacionista do clima — ele é desinformado.

A tecnologia aparece com um papel ambíguo. De um lado, 81% dos entrevistados temem deepfakes e manipulações por inteligência artificial; do outro, 67% confiam na tecnologia, enquanto 65% desconfiam dos governos. A pesquisa também mediu a confiança nas instituições: 45% acreditam em organizações não governamentais.

Engajamento: pouco apetite por partidos e passeatas

Sobre participação, os números mostram resistência a formas tradicionais de mobilização: 39% rejeitam o envolvimento partidário e 33% rejeitam protestos de rua. Isso sugere que estratégias de engajamento climático que dependam apenas de partidos ou manifestações podem encontrar limites, e que formatos alternativos — ações locais, educação, informação confiável — podem ter mais aceitação. Essa leitura é do NTB, e não da pesquisa.

Como interpretar os números

Pesquisas de opinião refletem percepções, não fatos científicos: dizem como as pessoas veem o problema, não o tamanho real dele. Também é preciso olhar a metodologia completa — margem de erro, forma de coleta, período de campo — que a reportagem não detalha. Os resultados devem ser lidos como uma fotografia do momento, útil para orientar a comunicação e as políticas públicas, e não como uma previsão.

O recado da pesquisa, no entanto, é claro: há preocupação com o clima, mas falta um fio que ligue esse medo às decisões e à rotina. Combater a desinformação — e tornar visível a conexão entre eventos extremos locais e a mudança do clima — pode ser tão importante quanto produzir mais dados científicos.

Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir da reportagem da Agência Brasil sobre a pesquisa; o NTB não teve acesso ao relatório completo nem à metodologia. As interpretações assinaladas são do NTB.

Fontes

Redação NTB · Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Conteúdo elaborado pela equipe do News Tech Brazil a partir de fontes públicas, com apoio de ferramentas de inteligência artificial e revisão editorial. Todas as matérias listam suas fontes.

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