Espaço
SpaceX faz três lançamentos em um dia: Falcon Heavy estreia para a agência de espionagem dos EUA e Transporter-18 leva 130 cargas
Entre 1º e 2 de outubro, a empresa lançou a Crew-13, a missão classificada NROL-97 e uma carona compartilhada com 130 satélites e cargas; quatro propulsores foram recuperados em um único dia, segundo a Spaceflight Now.
Foi um dia cheio de foguetes. Entre a manhã de 1º de outubro e a madrugada de 2 de outubro de 2026, a SpaceX realizou três lançamentos: a Crew-13, que levou astronautas à Estação Espacial Internacional; a Transporter-18, uma carona compartilhada com 130 cargas; e a NROL-97, a primeira missão de um Falcon Heavy para o Escritório Nacional de Reconhecimento dos EUA (NRO). Segundo a Spaceflight Now, a empresa pousou quatro propulsores em um único dia.
NROL-97: o Falcon Heavy e a carga secreta
O Falcon Heavy, o foguete mais potente em operação da empresa, decolou às 23h54 de Nova York em 1º de outubro (00h54 de 2 de outubro em Brasília), da plataforma 39A do Centro Espacial Kennedy. Foi o 14º voo do Falcon Heavy e o primeiro para o NRO, que já havia usado o Falcon 9 em 22 missões.
- Os dois propulsores laterais — o B1104, em seu segundo voo, e o B1072, no quarto — pousaram nas Zonas de Pouso 1 e 2, no Cabo Canaveral;
- O propulsor central, novo (B1106), foi descartado, como planejado;
- A carga é classificada: o governo americano não divulga o que foi lançado. A carenagem já havia voado na missão NROL-95, em julho.
O NTB não encontrou, nas fontes consultadas, informações oficiais sobre a natureza do satélite; qualquer afirmação sobre sua função seria especulação.

Transporter-18: 130 cargas numa carona
A Transporter-18 decolou de Vandenberg, na Califórnia (plataforma SLC-4E), em 1º de outubro, rumo a uma órbita polar síncrona com o Sol. A missão levava 130 cargas de clientes diversos. Entre as mencionadas na prévia da Spaceflight Now estão um protótipo de inteligência artificial do Google, um rastreador de metano e laboratórios de fabricação farmacêutica em órbita.
O propulsor B1082, em seu 25º voo, tinha pouso previsto na Zona de Pouso 4 de Vandenberg — a prévia o descreve como o 36º pouso naquele local e o 665º pouso de um propulsor Falcon até hoje. Esses números são da prévia, publicada antes do lançamento.
E os satélites dos estudantes brasileiros?
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) informou em 30 de setembro que dois nanossatélites construídos por 100 estudantes de escolas públicas de Sorocaba (SP) e Fortaleza (CE) seriam lançados na missão Transporter-18. A prévia da Spaceflight Now não menciona cargas brasileiras, e o NTB ainda não confirmou, por fonte independente, que os satélites EduSat-2 e EduSat-3 foram colocados em órbita nem que foram acionados. Atualizaremos assim que houver confirmação.
Por que isso importa
A frequência de lançamentos mostra como o transporte espacial virou rotina: o que antes era um evento raro agora acontece várias vezes por dia, com reutilização de propulsores. Isso reduz o custo por quilo em órbita e abre espaço para projetos pequenos — de startups a escolas — dividirem o foguete, como nas missões Transporter. Ao mesmo tempo, a presença de cargas militares e comerciais no mesmo calendário reforça a dependência do setor de uma empresa só.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir de duas reportagens da Spaceflight Now (01/10/2026). Os horários de Brasília foram convertidos pelo NTB; o horário do Transporter-18 não é citado porque as fontes divergem. A contagem de “quatro propulsores em um dia” é da Spaceflight Now.
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