Segunda-feira, 5 de outubro de 2026Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Energia

Material poroso ativado pela luz solar produz hidrogênio a partir da água sem catalisadores de metais caros, mostra estudo da Oregon State publicado no JACS

O MOF chamado BVR-19 usa uma ligação enxofre-enxofre que se rompe sob luz e gera espécies reativas. Pesquisadores também identificaram regras de projeto para criar versões melhores; os números de eficiência não foram divulgados no resumo.

Estrutura cristalina de um material poroso do tipo MOF
Estrutura cristalina do MOF-5, um exemplo clássico de rede metalorgânica (imagem de Axs154, CC BY-SA 4.0). Imagem ilustrativa; não é o BVR-19. Foto/Imagem: Axs154 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Uma equipe do Laboratório de Descoberta de Materiais da Oregon State University, nos EUA, desenvolveu um material que usa luz para produzir hidrogênio a partir da água sem depender de catalisadores de metais caros. O trabalho, liderado por Kyriakos Stylianou e com coautoria de Emmanuel Musa, Dylan Pyle e outros, saiu no Journal of the American Chemical Society (2026, volume 148, número 37), e foi divulgado pelo ScienceDaily em 4 de outubro.

O material: um MOF chamado BVR-19

MOF é a sigla em inglês para rede metalorgânica: um sólido cristalino e poroso feito de íons metálicos ligados por moléculas orgânicas, com uma estrutura que lembra um conjunto de peças encaixadas. O BVR-19, criado pelos pesquisadores, tem uma característica incomum no componente orgânico: uma ligação enxofre-enxofre (do tipo sulfeto-sulfeto, ou dissulfeto).

Como funciona

Quando a luz atinge o material, essa ligação se rompe temporariamente e produz espécies de enxofre altamente reativas, que facilitam a geração de hidrogênio — sem os metais preciosos usados em muitos catalisadores. O BVR-19 se forma espontaneamente, à temperatura ambiente, em solução aquosa, o que reduz a energia gasta na fabricação.

Células de eletrólise antigas usadas para produzir hidrogênio
Células eletrolíticas históricas para produção de hidrogênio (domínio público). Imagem de arquivo, ilustrativa. Crédito: Autor não informado / Wikimedia Commons, Public domain.

O contexto econômico

O resumo lembra que o hidrogênio industrial atual, em geral produzido a partir de combustíveis fósseis, custa cerca de US$ 1,50 por quilo, enquanto o hidrogênio “verde”, feito com energia renovável, custa em torno de US$ 5 por quilo. Tecnologias que reduzam esse custo ajudariam a viabilizar o hidrogênio verde em escala, usado em indústrias como fertilizantes, aço e transporte pesado.

Regras de projeto

Os pesquisadores variaram os metais do material mantendo os demais componentes, para descobrir por que certas versões do MOF funcionam melhor que outras. A ideia é que essas regras de projeto orientem a criação de materiais mais eficazes para produzir combustíveis a partir da luz solar.

O que o resumo não diz

  • Não informa a eficiência de conversão de luz em hidrogênio nem a quantidade produzida por hora;
  • Não discute estabilidade a longo prazo, custo de fabricação em escala ou desempenho sob luz solar real, e não só em laboratório;
  • Não compara com os melhores fotocatalisadores já conhecidos.

Esses pontos decidem se o material é uma curiosidade científica ou uma tecnologia útil. Por enquanto, é um resultado de pesquisa básica, em escala de laboratório.

Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir do resumo do ScienceDaily (04/10/2026) sobre artigo do JACS. O NTB não leu o artigo original. Os preços de hidrogênio são os citados no resumo. A explicação sobre MOFs e a lista de usos do hidrogênio verde são contexto geral; as duas imagens são ilustrativas.

Fontes

Redação NTB · Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Conteúdo elaborado pela equipe do News Tech Brazil a partir de fontes públicas, com apoio de ferramentas de inteligência artificial e revisão editorial. Todas as matérias listam suas fontes.

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