Segunda-feira, 5 de outubro de 2026Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Ciência

Nobel de Medicina 2026 vai para Deisseroth, Hegemann e Nagel, pela optogenética — a técnica de controlar neurônios com luz, segundo a Optica

Três pesquisadores, dos EUA e da Alemanha, são premiados por descobertas sobre canais iônicos ativados por luz. A informação vem de comunicado da Optica; o NTB não conseguiu abrir a página oficial do Nobel para confirmar.

Retrato do neurocientista Karl Deisseroth
Karl Deisseroth, da Universidade Stanford, um dos laureados citados (foto de Christopher Michel, CC BY-SA 4.0). Foto/Imagem: Christopher Michel / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026 foi concedido a Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel por descobertas sobre canais iônicos ativados por luz e sobre a optogenética, de acordo com um comunicado da Optica, sociedade científica de óptica e fotônica, divulgado em 5 de outubro de 2026. Atenção: o NTB não conseguiu abrir a página do Comitê Nobel para confirmar; o texto se baseia no comunicado da Optica, e a confirmação deve ser feita em nobelprize.org.

O que é optogenética

Neurônios se comunicam por sinais elétricos. A optogenética insere em células genes de proteínas sensíveis à luz; quando a luz as atinge, elas abrem ou fecham canais na membrana e “ligam” ou “desligam” a célula. Com isso, pesquisadores conseguem controlar circuitos neurais definidos geneticamente, com precisão de milissegundos, em vez de estimular regiões inteiras com eletrodos ou drogas.

Esquema com as etapas de uma estimulação optogenética
Diagrama das etapas da estimulação optogenética (de Pama, Colzato e Hommel, CC BY 4.0). Imagem didática. Crédito: Pama E.A. Claudia, Colzato Lorenza, Hommel Bernhard / Wikimedia Commons, CC BY 4.0.

O que cada laureado fez, segundo a Optica

  • Karl Deisseroth (Instituto Médico Howard Hughes e Universidade Stanford, EUA) desenvolveu o uso de proteínas sensíveis à luz para controlar neurônios com precisão e manipular circuitos neurais definidos geneticamente;
  • Peter Hegemann (Universidade Humboldt de Berlim, Alemanha) estudou as canalrodopsinas no Instituto Max Planck de Bioquímica, mostrando que são canais ativados por luz e esclarecendo como microrganismos respondem à luz;
  • Georg Nagel (Universidade de Würzburg, Alemanha) demonstrou, no Instituto Max Planck de Biofísica, que as canalrodopsinas funcionam como canais iônicos ativados por luz e que podem tornar outras células sensíveis à luz.

Para que serve

A presidente da Optica, Gisele Bennett, descreveu a pesquisa como transformadora para a neurociência: ela permite controlar circuitos com precisão no espaço e no tempo e relacionar a atividade neural ao comportamento. Entre as aplicações citadas estão mapear os circuitos de memórias, emoções e comportamentos e tentar restaurar a visão de pessoas com deficiência visual. A restauração da visão por optogenética ainda é experimental.

Por que importa

Poucas técnicas mudaram tanto o trabalho dos laboratórios em tão pouco tempo. Em vez de apenas observar o cérebro, os cientistas passaram a testar causas: ligar um grupo de neurônios e ver o que muda no comportamento do animal. Isso ajudou a estudar condições como dependência, ansiedade, dor crônica e doenças do movimento em modelos experimentais — embora o uso clínico em humanos ainda seja limitado e esteja em fase inicial.

Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir do comunicado da Optica (EurekAlert, 05/10/2026). Não foi possível confirmar o anúncio na página oficial do Comitê Nobel. As explicações gerais sobre a técnica e a lista de condições estudadas em modelos experimentais são contexto do NTB.

Fontes

Antonio Fernando Azevedo Souza Neto · Founder News Tech Brazil

Engenheiro Mecânico, Cientista da Computação e Matemático | Criador e redator do News Tech Brazil | Ciência • Tecnologia • Inovação • Engenharia

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