Ciência
Altermagnetismo é detectado em material de camadas com cobalto; pesquisadores da UCF veem caminho para eletrônica mais rápida e eficiente
Estudo na Nature Communications confirma, com espectroscopia de fotoemissão, a assinatura de um estado magnético que mistura traços de ferromagnetos e antiferromagnetos. As causas físicas ainda não são entendidas.
Uma equipe da Universidade da Flórida Central (UCF), nos EUA, relatou a observação de altermagnetismo em um material em camadas ajustável, o Co1/4TaSe2. O trabalho, publicado na revista Nature Communications em 2026, foi liderado pelo professor Madhab Neupane, com o estudante de pós-graduação Milo Sprague como principal pesquisador e a colaboração de Igor Mazin e Nirmal Ghimire, segundo o resumo divulgado pelo ScienceDaily.
O que é altermagnetismo
Durante décadas, os materiais magnéticos foram divididos em duas grandes famílias: os ferromagnetos (como o ímã de geladeira), em que os spins dos elétrons apontam na mesma direção, e os antiferromagnetos, em que se alternam e se cancelam. O altermagnetismo é um estado reconhecido mais recentemente que combina características dos dois: como os ferromagnetos, ele gera e detecta correntes de spin; como os antiferromagnetos, não produz campos magnéticos parasitas que interferem em componentes vizinhos.
O que os pesquisadores fizeram
O material é um dicalcogeneto de metal de transição em camadas, com átomos magnéticos de cobalto entre as camadas. Usando espectroscopia de fotoemissão resolvida em ângulo (ARPES) e uma versão sensível ao spin, a equipe detectou uma divisão característica das bandas eletrônicas, com polarizações de spin opostas — a assinatura esperada para o altermagnetismo. A medida indica que o efeito vem principalmente do interior do material, e não só da superfície.
Possíveis aplicações
A eletrônica atual usa a carga elétrica dos elétrons. A spintrônica tenta aproveitar também o spin, o que, em princípio, permite dispositivos mais rápidos e com menor consumo de energia. Os autores citam memórias ultrarrápidas, redes em terahertz e eletrônica de baixo consumo como possíveis usos. São potenciais, não produtos: o estudo é de física fundamental.
O que ainda não se sabe
- Os cientistas não sabem por que o altermagnetismo se forma nesse material;
- Não está claro como ele se compara a outros arranjos magnéticos concorrentes;
- Não se sabe como o estado se comporta sob condições diferentes (temperatura, pressão, campo);
- A teoria que explica o fenômeno precisa de verificação experimental adicional.
Por que importa
Se confirmado em outros materiais e em temperaturas práticas, o altermagnetismo pode virar uma plataforma para memórias e processadores que escrevem e leem informação com spin sem os problemas de interferência dos ímãs convencionais. O caminho entre uma observação em laboratório e um componente em um computador costuma ser longo, e este estudo marca apenas um passo.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir do resumo do ScienceDaily (05/10/2026) sobre artigo da Nature Communications. O NTB não leu o artigo original. As explicações sobre ferromagnetos e antiferromagnetos são contexto geral. A imagem de abertura é ilustrativa e não é do equipamento usado no estudo.
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.
Comentar