Ciência
Flutuações quânticas do “espaço vazio” aumentam a temperatura crítica de um supercondutor ultrafino em até 5,4%, mostra estudo chinês na Nature
Equipe da Universidade de Ciência e Tecnologia da China colocou uma camada de seleneto de nióbio dentro de uma cavidade de terahertz. O efeito é modesto, mas indica um jeito de controlar materiais quânticos sem fonte externa de energia.
Em física quântica, o “vazio” não é vazio: está cheio de flutuações do campo eletromagnético. Uma equipe da Universidade de Ciência e Tecnologia da China (USTC), com contribuições da Universidade Jiao Tong de Xangai e do físico Frank Wilczek, do MIT, mostrou que essas flutuações podem fortalecer a supercondutividade. O estudo foi publicado na revista Nature e divulgado pelo ScienceDaily em 3 de outubro de 2026.
O experimento
O material é o seleneto de nióbio (NbSe2), um supercondutor ultrafino com seis camadas. Os pesquisadores o colocaram dentro de uma cavidade escura de terahertz, um ressonador que amplifica as flutuações do vácuo quântico e modifica o ambiente eletromagnético em torno do material. O resultado: a temperatura crítica — abaixo da qual o material deixa de oferecer resistência elétrica — subiu em até 5,4%. Também melhoraram a corrente crítica e a resistência a campos magnéticos perto da transição.
A explicação proposta
Segundo os autores, fótons virtuais trocados entre o estado supercondutor e os modos da cavidade reduzem a energia do estado supercondutor, o que o torna mais estável. O efeito depende de uma ressonância: a frequência da cavidade precisa coincidir com as flutuações de baixa energia do material.
Cuidados e limitações
- O efeito é modesto (até 5,4%) e foi obtido em um material específico, a baixas temperaturas;
- Os autores fizeram experimentos de controle para descartar explicações convencionais, como deformação mecânica e degradação da amostra;
- A aplicabilidade a outros materiais depende de mais otimização.
Por que importa
A ideia é controlar propriedades de materiais quânticos sem contato e sem aplicar energia externa, apenas “projetando” o ambiente de vácuo ao redor. Se isso funcionar em outros supercondutores, pode ajudar a entender e, no futuro, a projetar materiais com melhor desempenho. Não há, porém, relação com os supercondutores de “temperatura ambiente” que aparecem de tempos em tempos nas manchetes: aqui o material continua precisando de resfriamento, e o ganho é de poucos por cento.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir do resumo do ScienceDaily (03/10/2026) sobre artigo da Nature. O NTB não leu o artigo original. A observação final é contexto do NTB.
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