Segunda-feira, 5 de outubro de 2026Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Ciência

Flutuações quânticas do “espaço vazio” aumentam a temperatura crítica de um supercondutor ultrafino em até 5,4%, mostra estudo chinês na Nature

Equipe da Universidade de Ciência e Tecnologia da China colocou uma camada de seleneto de nióbio dentro de uma cavidade de terahertz. O efeito é modesto, mas indica um jeito de controlar materiais quânticos sem fonte externa de energia.

Ímã levitando sobre um supercondutor resfriado
Um ímã levitando sobre um supercondutor resfriado, demonstração clássica (foto de Julien Bobroff e equipe, CC BY-SA 3.0). Imagem ilustrativa. Foto/Imagem: Julien Bobroff (user:Jubobroff), Frederic Bouquet (user:Fbouquet), Jeffrey… / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

Em física quântica, o “vazio” não é vazio: está cheio de flutuações do campo eletromagnético. Uma equipe da Universidade de Ciência e Tecnologia da China (USTC), com contribuições da Universidade Jiao Tong de Xangai e do físico Frank Wilczek, do MIT, mostrou que essas flutuações podem fortalecer a supercondutividade. O estudo foi publicado na revista Nature e divulgado pelo ScienceDaily em 3 de outubro de 2026.

O experimento

O material é o seleneto de nióbio (NbSe2), um supercondutor ultrafino com seis camadas. Os pesquisadores o colocaram dentro de uma cavidade escura de terahertz, um ressonador que amplifica as flutuações do vácuo quântico e modifica o ambiente eletromagnético em torno do material. O resultado: a temperatura crítica — abaixo da qual o material deixa de oferecer resistência elétrica — subiu em até 5,4%. Também melhoraram a corrente crítica e a resistência a campos magnéticos perto da transição.

A explicação proposta

Segundo os autores, fótons virtuais trocados entre o estado supercondutor e os modos da cavidade reduzem a energia do estado supercondutor, o que o torna mais estável. O efeito depende de uma ressonância: a frequência da cavidade precisa coincidir com as flutuações de baixa energia do material.

Cuidados e limitações

  • O efeito é modesto (até 5,4%) e foi obtido em um material específico, a baixas temperaturas;
  • Os autores fizeram experimentos de controle para descartar explicações convencionais, como deformação mecânica e degradação da amostra;
  • A aplicabilidade a outros materiais depende de mais otimização.

Por que importa

A ideia é controlar propriedades de materiais quânticos sem contato e sem aplicar energia externa, apenas “projetando” o ambiente de vácuo ao redor. Se isso funcionar em outros supercondutores, pode ajudar a entender e, no futuro, a projetar materiais com melhor desempenho. Não há, porém, relação com os supercondutores de “temperatura ambiente” que aparecem de tempos em tempos nas manchetes: aqui o material continua precisando de resfriamento, e o ganho é de poucos por cento.

Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir do resumo do ScienceDaily (03/10/2026) sobre artigo da Nature. O NTB não leu o artigo original. A observação final é contexto do NTB.

Fontes

Redação NTB · Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Conteúdo elaborado pela equipe do News Tech Brazil a partir de fontes públicas, com apoio de ferramentas de inteligência artificial e revisão editorial. Todas as matérias listam suas fontes.

Ver todas as matérias →

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.

Comentar

Deixe um comentário

Os comentários passam por moderação. Ao enviar, você concorda com a política de privacidade.

Leia também