Energia
Petrobras anuncia segunda descoberta de petróleo no poço de Morpho, na Margem Equatorial, e atinge valor de mercado recorde de R$ 700 bilhões
Poço fica a 175 km da costa do Amapá, em águas ultraprofundas. Volumes ainda não foram divulgados e a análise de laboratório está em curso; o Ministério Público Federal pede a suspensão de licenças ambientais da região.
A Petrobras comunicou, em 2 de outubro de 2026, a segunda descoberta de petróleo no poço de Morpho, na Margem Equatorial brasileira. Segundo a Agência Brasil, o poço (1-BRSA-1405-APS) fica no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, a 175 km da costa do Amapá e em lâmina d'água de 2.886 metros, ou seja, em águas ultraprofundas.
Como a descoberta foi identificada
A presença de petróleo foi indicada por perfis elétricos, indícios nas rochas e amostras de fluido colhidas durante a perfuração, que continua. A primeira descoberta no mesmo poço havia sido anunciada em meados de agosto, com óleo considerado de boa qualidade. Agora, as amostras passarão por análises de laboratório, e a perfuração segue para avaliar as formações encontradas. Os resultados servirão para avaliar o sistema petrolífero e o potencial da bacia.
A Agência Brasil não informa o volume de óleo encontrado. Uma descoberta, por si só, não significa que haverá produção: ainda é preciso comprovar a viabilidade técnica e econômica, o que pode levar anos.

Por que a Margem Equatorial importa
A região é chamada de “novo pré-sal” por seu potencial exploratório. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Bacia da Foz do Amazonas pode ter recursos recuperáveis de cerca de 10 bilhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás somados) — estimativa para a bacia toda, e não para este poço. A Petrobras é concessionária do bloco desde 2021; originalmente, ele foi licenciado para a BP, em 2013. A licença ambiental do Ibama para a atividade foi concedida em outubro de 2025.
A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a descoberta aumenta a expectativa de abertura de uma nova fronteira exploratória no país.
A reação do mercado
Na sexta-feira, 2 de outubro, a Petrobras chegou a R$ 700,08 bilhões de valor de mercado na B3, um recorde, com ganho de R$ 20,9 bilhões em um só dia: as ações preferenciais subiram 2,81% e as ordinárias, 3,25%. De janeiro a setembro de 2026, segundo a Agência Brasil, a estatal teria criado cerca de 185% de valor (em dólares), somando valorização e proventos, superando petroleiras como Chevron, ExxonMobil, TotalEnergies, Shell e BP.
A disputa ambiental
A exploração na região é controversa. O Ministério Público Federal pediu à Justiça a suspensão das licenças ambientais da operação na Foz do Amazonas, citando um vazamento de mais de 18 mil litros de fluido químico em janeiro e a consulta insuficiente a povos indígenas. A reportagem não informa a decisão da Justiça nem a posição da estatal sobre o pedido. A área é sensível por estar perto da foz do maior rio do mundo e de ecossistemas costeiros, como os manguezais do litoral amapaense.
O que observar
- Os resultados das análises de laboratório e a divulgação, ou não, de volumes;
- A decisão da Justiça sobre o pedido do MPF;
- Se a estatal pedirá avaliação de comercialidade, passo necessário antes de pensar em produção.
Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir de duas reportagens da Agência Brasil (02/10/2026). Os números de mercado e de estimativa de recursos são os divulgados pela agência, que cita a EPE. Valores de mercado oscilam diariamente. O NTB não teve acesso ao comunicado original da Petrobras. A frase sobre a sensibilidade ambiental da região é contexto geral do NTB.
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