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Energia

Petrobras anuncia segunda descoberta de petróleo no poço de Morpho, na Margem Equatorial, e atinge valor de mercado recorde de R$ 700 bilhões

Poço fica a 175 km da costa do Amapá, em águas ultraprofundas. Volumes ainda não foram divulgados e a análise de laboratório está em curso; o Ministério Público Federal pede a suspensão de licenças ambientais da região.

Plataforma de petróleo P-51 da Petrobras no mar
Plataforma P-51 da Petrobras (foto de divulgação Petrobras/Agência Brasil, CC BY 3.0 BR). Imagem de arquivo, ilustrativa: não é a sonda do poço de Morpho. Foto/Imagem: Divulgação Petrobras / ABr / Wikimedia Commons, CC BY 3.0 br

A Petrobras comunicou, em 2 de outubro de 2026, a segunda descoberta de petróleo no poço de Morpho, na Margem Equatorial brasileira. Segundo a Agência Brasil, o poço (1-BRSA-1405-APS) fica no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, a 175 km da costa do Amapá e em lâmina d'água de 2.886 metros, ou seja, em águas ultraprofundas.

Como a descoberta foi identificada

A presença de petróleo foi indicada por perfis elétricos, indícios nas rochas e amostras de fluido colhidas durante a perfuração, que continua. A primeira descoberta no mesmo poço havia sido anunciada em meados de agosto, com óleo considerado de boa qualidade. Agora, as amostras passarão por análises de laboratório, e a perfuração segue para avaliar as formações encontradas. Os resultados servirão para avaliar o sistema petrolífero e o potencial da bacia.

A Agência Brasil não informa o volume de óleo encontrado. Uma descoberta, por si só, não significa que haverá produção: ainda é preciso comprovar a viabilidade técnica e econômica, o que pode levar anos.

Imagem de satélite da foz do Rio Amazonas encontrando o Oceano Atlântico
A foz do Rio Amazonas no Atlântico, vista de satélite (imagem do INPE/Coordenação-Geral de Observação da Terra, CC BY-SA 2.0). Imagem ilustrativa da região. Crédito: Coordenação-Geral de Observação da Terra/INPE / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0.

Por que a Margem Equatorial importa

A região é chamada de “novo pré-sal” por seu potencial exploratório. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a Bacia da Foz do Amazonas pode ter recursos recuperáveis de cerca de 10 bilhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás somados) — estimativa para a bacia toda, e não para este poço. A Petrobras é concessionária do bloco desde 2021; originalmente, ele foi licenciado para a BP, em 2013. A licença ambiental do Ibama para a atividade foi concedida em outubro de 2025.

A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a descoberta aumenta a expectativa de abertura de uma nova fronteira exploratória no país.

A reação do mercado

Na sexta-feira, 2 de outubro, a Petrobras chegou a R$ 700,08 bilhões de valor de mercado na B3, um recorde, com ganho de R$ 20,9 bilhões em um só dia: as ações preferenciais subiram 2,81% e as ordinárias, 3,25%. De janeiro a setembro de 2026, segundo a Agência Brasil, a estatal teria criado cerca de 185% de valor (em dólares), somando valorização e proventos, superando petroleiras como Chevron, ExxonMobil, TotalEnergies, Shell e BP.

A disputa ambiental

A exploração na região é controversa. O Ministério Público Federal pediu à Justiça a suspensão das licenças ambientais da operação na Foz do Amazonas, citando um vazamento de mais de 18 mil litros de fluido químico em janeiro e a consulta insuficiente a povos indígenas. A reportagem não informa a decisão da Justiça nem a posição da estatal sobre o pedido. A área é sensível por estar perto da foz do maior rio do mundo e de ecossistemas costeiros, como os manguezais do litoral amapaense.

O que observar

  • Os resultados das análises de laboratório e a divulgação, ou não, de volumes;
  • A decisão da Justiça sobre o pedido do MPF;
  • Se a estatal pedirá avaliação de comercialidade, passo necessário antes de pensar em produção.

Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir de duas reportagens da Agência Brasil (02/10/2026). Os números de mercado e de estimativa de recursos são os divulgados pela agência, que cita a EPE. Valores de mercado oscilam diariamente. O NTB não teve acesso ao comunicado original da Petrobras. A frase sobre a sensibilidade ambiental da região é contexto geral do NTB.

Fontes

Antonio Fernando Azevedo Souza Neto · Founder News Tech Brazil

Engenheiro Mecânico, Cientista da Computação e Matemático | Criador e redator do News Tech Brazil | Ciência • Tecnologia • Inovação • Engenharia

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