Segunda-feira, 5 de outubro de 2026Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Espaço

Telescópio Roman abre os “olhos” a caminho do L2 e já mira com precisão de um laser em uma moeda a 240 km

Lançado em 30 de agosto, o telescópio espacial da NASA concluiu os primeiros testes do sistema de orientação e do coronógrafo: a estabilidade de apontamento ficou melhor que 1/100.000 de grau, requisito para caçar planetas e medir a energia escura.

Concepção artística do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA
Concepção artística do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA, que segue para operar no ponto de Lagrange L2. Foto/Imagem: IMAGE: NASA, NASA-GSFC / Wikimedia Commons, Public domain

O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA, acaba de passar pelas primeiras provas de fogo depois do lançamento: com seus instrumentos ligados, ele mostrou que consegue manter o apontamento praticamente imóvel — um requisito indispensável para um observatório que vai caçar planetas e mapear o Universo em escala inédita. Segundo a agência, a estabilidade medida ficou melhor que 1/100.000 de grau, o que equivale a cerca de 0,036 segundo de arco.

Foguete Falcon Heavy decolando com o Telescópio Roman
Decolagem do foguete Falcon Heavy com o Telescópio Roman, em 30 de agosto de 2026, do Complexo de Lançamento 39A, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida (imagem da SpaceX/NASA, domínio público). Crédito: SpaceX / Wikimedia Commons, Public domain.

Do lançamento ao ponto de Lagrange

O Roman foi lançado em 30 de agosto de 2026, às 7h26 (horário de Verão do Leste dos EUA), por um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Complexo 39A do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Cerca de 30 minutos depois da decolagem, o foguete soltou o telescópio em uma trajetória planejada para uma viagem de aproximadamente 30 dias até o ponto de Lagrange L2, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros (1 milhão de milhas) da Terra, no lado oposto ao Sol. Nessa posição, o telescópio fica em um ponto estável em relação ao sistema Terra-Sol, com baixo ruído térmico e visão desimpedida do espaço profundo.

Desde então, a equipe vem ativando o telescópio por etapas. A NASA relatou, entre os marcos recentes, a ativação dos instrumentos principais e o teste do coronógrafo (15 de setembro), a confirmação de que as estações em solo recebem os dados (25 de setembro) e, em 30 de setembro, a checagem do sistema de orientação, junto da primeira observação com o coronógrafo.

Apontar sem tremer

Observar o céu com um telescópio de 2,4 metros de espelho, como o Roman, exige mais do que boa óptica: é preciso que o instrumento fique completamente parado enquanto a luz se acumula no sensor. Qualquer vibração, mesmo minúscula, borra a imagem. O responsável por isso é o sistema de orientação fino, que usa estrelas-guia como referência: ele informa a posição dessas estrelas cerca de quatro vezes por segundo, e o telescópio se corrige continuamente.

Entre 15 e 21 de setembro, a equipe testou esse sistema com o Instrumento de Campo Amplo (Wide Field Instrument) e verificou que o apontamento permaneceu melhor que 1/100.000 de grau durante 30 minutos. Nos testes do coronógrafo, feitos em 22 e 27 de setembro, a estabilidade foi igualmente melhor que esse valor, mas mantida por 8 horas. A NASA compara o feito a mirar um laser em uma moeda de dez centavos de dólar a cerca de 240 quilômetros (150 milhas) de distância — e diz que a meta final é o equivalente a cerca de 370 quilômetros (230 milhas).

Begoña Vila, líder dos sistemas de instrumentos de orientação do Roman, no Centro de Voo Espacial Goddard (Maryland), e Vanessa Bailey, cientista do coronógrafo, no Laboratório de Propulsão a Jato (Califórnia), comentaram os resultados na divulgação da NASA.

Espelho primário do Telescópio Roman
O espelho primário do Roman, de 2,4 metros de diâmetro — do mesmo tamanho do espelho do Hubble, mas com um campo de visão muito maior (imagem da NASA/Chris Gunn, domínio público). Crédito: NASA/Chris Gunn / Wikimedia Commons, Public domain.

Duas “câmeras” para duas missões

O Roman carrega dois instrumentos. O principal, o Instrumento de Campo Amplo, é uma câmera infravermelha de 300 megapixels formada por 18 detectores; seu campo de visão é de pelo menos 100 vezes o do Hubble, o que permite fotografar grandes áreas do céu de uma vez. O segundo é o coronógrafo, que bloqueia a luz de uma estrela para revelar planetas e discos de poeira muito mais fracos que ela. É uma tecnologia que a NASA quer demonstrar em órbita para preparar futuros telescópios capazes de fotografar planetas semelhantes à Terra.

As primeiras imagens de teste miraram a Grande Nuvem de Magalhães, galáxia satélite da Via Láctea. A câmera começou detectando uma estrela fraca e, depois que os detectores esfriaram até a temperatura de operação, passou a enxergar várias.

Grande Nuvem de Magalhães em imagem infravermelha e de rádio
A Grande Nuvem de Magalhães, galáxia vizinha da Via Láctea, em imagem composta de infravermelho e rádio (ESA/NASA/JPL-Caltech/STScI, domínio público). Foi o primeiro alvo de teste do Roman. Crédito: ESA/NASA/JPL-Caltech/STScI / Wikimedia Commons, Public domain.

O que o Roman foi feito para descobrir

Os objetivos científicos do telescópio incluem investigar a energia escura — a misteriosa componente que acelera a expansão do Universo —, a matéria escura e a estrutura de sistemas planetários. Com seu grande campo de visão, ele fará levantamentos estatísticos de exoplanetas, inclusive os que só podem ser detectados pelo efeito de “microlente gravitacional”, quando a gravidade de uma estrela amplifica momentaneamente a luz de outra ao fundo. A missão-base tem cinco anos, e a NASA informa que a vida útil potencial dobrou, graças à economia de combustível obtida na trajetória.

O telescópio leva o nome de Nancy Grace Roman (1925–2018), a primeira astrônoma-chefe da NASA, conhecida como “mãe do Hubble” por seu papel na defesa e na organização do programa que levou ao telescópio espacial.

Próximos passos

Com o apontamento comprovado, a equipe segue com o comissionamento — a série de ativações e calibrações que prepara o observatório para as operações científicas. A NASA mantém um painel público de acompanhamento desse processo. As operações científicas deverão começar quando o telescópio concluir a verificação de todos os sistemas na órbita de operação; a agência não detalhou, nas informações divulgadas até agora, uma data para a primeira imagem científica completa.

Nota da redação: texto elaborado pelo NTB a partir das fontes públicas listadas ao final. As conversões de unidades (milhas e polegadas para o sistema métrico) são do NTB.

Fontes

Redação NTB · Ciência, tecnologia, inovação e engenharia

Conteúdo elaborado pela equipe do News Tech Brazil a partir de fontes públicas, com apoio de ferramentas de inteligência artificial e revisão editorial. Todas as matérias listam suas fontes.

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